Previdência privada recupera ganhos

02/03/2006

Os primeiros balanços de 2005 das seguradoras de vida e previdência apresentaram bons resultados, apesar deste ter sido um dos piores períodos da história deste mercado no Brasil. No início do ano, as empresas enfrentaram uma verdadeira "corrida contra a previdência", conforme definiu o presidente da BrasilPrev, Eduardo Bom Angelo, exatamente como resposta ao maior estímulo que o setor já recebeu: a nova tributação que beneficia as aplicações de longo prazo com Imposto de Renda menor e regressivo.

A BrasilPrev, sociedade do Banco do Brasil com o americano Principal Financial Group e o Sebrae, aumentou sua arrecadação total em apenas 4,6% comparado a 2004, para R$ 2,071 bilhões. Em compensação, aumentou o lucro líquido em quase 40%, para R$ 145 milhões. O fraco desempenho da arrecadação total foi em grande parte devido às vendas do plano do tipo Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), que responde por R$ 650 milhões do total e cresceu só 2,5%. Em compensação, o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL), que captou R$ 794,8 milhões, cresceu 22,3% se comparado com o desempenho de 2004.

A explicação para o crescimento do PGBL está na ênfase dada pela BrasilPrev aos planos corporativos, geralmente vendidos para funcionários de empresas com um nível salarial maior e que declaram imposto de renda (para os quais o PGBL é mais vantajoso), explicou Eduardo Bom Angelo.

Na Real Tokio Marine Vida e Previdência, a arrecadação total de R$ 844,2 milhões cresceu 8,6% comparado a 2004, mas a maior parte (60%) foi arrecadada no último trimestre, afirmou Edson Franco, diretor presidente da seguradora. Os planos VGBL, que respondem pela maior parte (R$ 623 milhões), cresceram 9,7%, enquanto os PGBL avançaram apenas 5,7%. Já o lucro líquido, de R$ 14,02 milhões, cresceu nada menos que 78% comparado a 2004. "A queda no início do ano foi um problema pontual que não afetou as reservas nem os lucros", disse Franco. "Esperamos retomar o crescimento em 2006".

Na Icatu Hartford, o faturamento combinado de seguros, previdência e capitalização cresceu 8,6%, para R$ 1,158 bilhão, dos quais a previdência, que respondeu por R$ 294 milhões, cresceu 12,2%. O lucro líquido, de R$ 48,5 milhões, cresceu apenas 2,2%. Marcos Falcão, presidente da Icatu Hartford explica que os números de 2005 consolidam duas aquisições realizadas pela companhia nos últimos dois anos: as carteiras de vida e previdência da Nationwide e da Canada Life. As despesas da incorporação e adequação das duas empresas acabaram afetando negativamente o resultado da Icatu.

A nova tributação assustou os investidores que, sem entender exatamente o que acontecia, preferiram, a princípio, resgatar os valores aplicados. Na Bradesco Vida e Previdência, cujo balanço foi divulgado anteontem, para uma arrecadação de prêmios de R$ 1,194 bilhão (15% mais que no ano anterior), os resgates só do VGBL totalizaram R$ 2,47 bilhões.

Segundo a Associação Nacional de Previdência Privada (Anapp), a captação total do mercado em 2005 foi de R$ 19,5 bilhões, 3,9% acima do ano anterior, resultado só obtido pelo crescimento de mais de 70% das contribuições em dezembro, comparado a novembro. Os números mostram que ficou para trás o tempo em que esse setor crescia 30% a 40% ao ano. "Mudou o padrão de crescimento do mercado", analisa Bom Angelo. Para ele, a menos que alguma grande mudança de regulamentação ocorra, daqui para frente será muito difícil o mercado de previdência repetir o desempenho de 2000 e 2004.

Fonte: Anapp