Juro menor pode aumentar preço no setor de automóveis

16/05/2006

A redução das taxas básicas de juros pode pesar no bolso do consumidor que contratar uma apólice de seguros de automóveis. Ao contrário do que possa parecer a princípio, juros menores baixos não vão necessariamente empurrar para baixo o preço do seguro.

O consultor Renato Pita avalia que é possível até que ocorra exatamente o contrário. “Juros menores exigirão resultado operacional melhor. A conseqüência pode ser mesmo a de aumento dos preços na carteira de veículos", assinala o consultor, que até recentemente presidia a Comissão de Automóveis da Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg) e era diretor da área na Seguros.

Renato Pita afirma que o pelo tamanho do risco assumido pelas seguradoras o preço cobrado pelo seguro no Brasil não pode ser "considerado caro". Segundo ele, o resultado operacional tem oscilado em torno de 8% negativos. Com os ganhos das aplicações financeiras e outras variáveis, o resultado final acaba sendo positivo, de até 6%, o que pode mudar com a quedas das taxas de juros.

Pita destaca que de cada R$ 100,00 de prêmios ganhos nesse ramo, as seguradoras reservam R$ 69,00 para o pagamento de sinistros, R$ 19,00 para os custos de comercialização (basicamente, as comissões dos corretores) e R$ 20,00 para as despesas administrativas e tributos.

O "prejuízo" de R$ 8,00 é compensado pelo resultado financeiro. Renato Pita observa que, diante desse cenário, é importante a adoção de alguns mecanismos de seleção de riscos pelas seguradoras, inclusive as consultas ao Serasa, tão criticadas por segurados e corretores.

"Pesquisas comprovaram que os segurados com problemas de crédito oferecem mais riscos. Não se trata apenas da possibilidade de fraudes. Esse tipo de consumidor é afetado psicologicamente pelas dívidas e outros problemas, o que o torna um risco maior", frisa.

Projeção feita pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) indica que a carteira de automóveis deverá gerar um volume de prêmios da ordem de R$ 13,4 bilhões este ano. Esse valor corresponde a 27,3% da receita global prevista pela autarquia para o mercado no exercício, de aproximadamente R$ 49,1 bilhões, sem contar o ramo saúde, que está fora da jurisdição da Susep.

Com isso, o ramo de veículos ficará abaixo apenas do VGBL, que, pela estimativa feita pela Susep, deverá contribuir com R$ 14 bilhões, o equivalente a 28,6% do faturamento total do mercado em 2006.

Para a Susep, o último trimestre do ano será o melhor para a carteira de automóveis, com a possibilidade de geração de receita na faixa de R$ 3,5 bilhões de outubro a dezembro. A autarquia também refez a sua projeção de crescimento do setor em 2006, que deverá girar em torno de 15,4% e não 16,7% como projetava até março.

Fonte: Segs