Decisão do Copom surpreende e pode encarecer o crédito

26/10/2004

Surpreendeu, causou pessimismo aos investidores e teve forte reflexo negativo sobre os ativos financeiros brasileiros a decisão do Copom de aumentar a taxa básica, a Selic, em 0,5 ponto porcentual, para 16,75% ao ano, na reunião de quarta-feira, dia 20. O consenso entre os agentes era de uma elevação de 0,25 ponto porcentual na Selic e estava embutida uma alta de 0,35 ponto na curva de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

O aumento acima do esperado motivou forte ajuste das taxas projetadas para os próximos meses na BM&F, usadas como referência pelos bancos na captação de recursos dos clientes. Assim, as instituições financeiras terão de oferecer juros maiores na emissão de um CDB prefixado, por exemplo, e, conseqüentemente, repassarão o custo mais elevado aos devedores, mantendo assim o mesmo lucro.

 Os contratos com vencimento em abril de 2005, mais negociados na BM&F, encerraram a semana projetando taxa de 17,54% em termos anuais, ante 17,19% no fechamento da sexta-feira anterior. Passado o ajuste, a ata do Copom, que será divulgada na quinta-feira, é o evento mais esperado deste fim de mês. O relatório possibilitará maior avaliação sobre o futuro da política monetária brasileira e trará uma análise detalhada das justificativas dos técnicos para o aumento mais agressivo da Selic na semana passada.

ssim, se o relatório do Banco Central não aliviar as projeções futuras, é razoável prever que os juros cobrados no crédito ficarão ainda mais salgados e crescerá a possibilidade de serem frustradas as previsões de consumo e vendas para o fim do ano.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.