Previdência se volta à renda variável

26/01/2007

A previdência privada captou até novembro do ano passado R$ 19,44 bilhões, o que representou avanço de 20,64% em relação a 2005, e deixou de ser apenas uma poupança para a aposentadoria para se tornar mais uma opção para se investir em longo prazo, que tem apresentado uma rentabilidade de até 25% ao ano nos fundos com alocação em renda variável, tanto nas opções de PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) quanto no VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

Na gestora Icatu Hartford, os fundos com alocação em renda variável, conhecidos como balanceados, já representam 40% das alocações. A perspectiva, segundo o gestor de renda variável da instituição, Marcelo Gerbassi, é de que esse percentual venha crescer ainda mais com a queda da taxa de juros. “O cenário para a Bolsa tem se mantido positivo nos últimos três anos e deve repetir o bom desempenho no ano que vem”, avalia.

O fundo Icatu Hartford Composto 49 C, apresentou rendimento de 23,87% em 2006, e possui uma exposição de até 49% da carteira em renda variável. A taxa de administração varia de 1,73% a 3%. A gestora também trabalha com outra família de fundos balanceados, a Icatu Hartford Minha Aposentadoria, cujo tempo de contribuição varia de 2010 a 2040. Além da aplicação em ações, esses fundos também focam a compra de títulos de longo prazo indexados à inflação, que pagam a taxa do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) mais uma taxa fixa em torno de 7% a 8%, o que tem garantido um retorno superior a 20% ao ano.

“A busca por ativos de maior risco deve ser inevitável nos próximos anos, o que deverá aumentar a concorrência entre os gestores de ativos”, afirma Gerbassi.

Ao todo os fundos de previdência da Icatu somam um patrimônio de R$ 1,1 bilhão, sendo R$ 470 milhões representados pelos fundos compostos.
A participação dos fundos de renda variável na carteira de investimentos do segmento aumentou de 5% para 7% na Brasilprev. Segundo o diretor comercial da instituição, Marco Antônio Barros, conforme os investidores forem conhecendo o mercado essa parcela deve dobrar em três anos. “Em 2007 o crescimento ainda deverá ser moderado, com a consolidação do cenário da queda da taxa de juros”, afirma.

A Brasilprev registrou captação de R$ 2,3 bilhões até novembro, aumento de 21% em relação a 2005. O volume de ativos administrados atingiu R$ 12 bilhões, com 1,025 milhão de clientes. O segmento de investidores de alta renda cresceu cerca de 251% até outubro de 2006.

Aposta em governança

A Mapfre Seguros decidiu apostar na governança corporativa das empresas e lançou o fundo Mapfre Corporate Governance FIM em agosto de 2006, que acumulou rentabilidade de 18,68% no ano passado. De acordo com o diretor de previdência da Mapfre Seguros, Carlos Alberto Barreto, o objetivo é aplicar em ações de empresas enquadradas nos níveis I, II e Novo Mercado da Bovespa, que apresentem políticas socialmente responsáveis, compromisso com transparência e segurança da divulgação de informações, além de respeitar os acionistas minoritários. “Buscamos retorno consistente em longo prazo, o que se aplica perfeitamente ao perfil dos fundos de previdência”, diz.

Cerca de 17% das captações estão em fundos que aplicam em derivativos e ações, participação, que segundo Barreto, deve chegar a 35% no ano que vem. A Mapfre firmou no final do ano passado uma parceria com a Hedging-Griffo e lançou dois fundos de previdência: HG Multimercado Simples e o Plus. O segundo possui um perfil mais agressivo, voltado para investidores com renda anual acima de R$ 1 milhão, e já apresenta captação superior a R$ 7 milhões. Lançado no final do ano passado, o fundo apresentou boa performance em 2006 de 6,349%, e deve ser um dos principais produtos da gestora para o ano que vem. Além do Governance, a Mapfre possui outros dois fundos: Mapfre Corporate Multimercado Prev FI e Mapfre Maxi 20, que possui uma aplicação de 20% da carteira em ações, e acumularam rendimento de 19,21% e 15,75% respectivamente em 2006.

A atratividade dos fundos de previdência privada começou a mudar com no ano passado, em decorrência da Lei n° 1.153, que alterou a tributação do imposto de renda, com a possibilidade de optar pela tabela regressiva, cujo imposto diminui à medida que aumenta o tempo de aplicação.

O patrimônio do setor da previdência privada aberta ultrapassou R$ 100 bilhões em reservas, o que representa atualmente 4% do PIB. Segundo a projeção do estudo da AlfaSul Capital, encomendado pela Brasilprev, esse percentual deve chegar a 9,6% do PIB em 10 anos.

Segundo estimativas da Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp) os investidores de alto poder aquisitivo, que costumam realizar aportes de até R$ 500 mil foram os principais responsáveis pelo crescimento de 30% das aplicações em previdência privada.

Fonte: Segs