Com aumento da violência, seguros de carro e de casa ficarão mais caros

26/01/2007

Se você tem seguro de carro ou de residência - ou ambos - prepare seu bolso. Além de ter de conviver com a violência que acomete as grandes cidades, os brasileiros também terão de arcar com as conseqüências financeiras dela. A afirmação é da Correcta Seguros.

Conforme estudo apresentado pela empresa, ano passado apresentou índices muito baixos de pagamento de sinistros (valor do reembolso). Para se ter uma idéia, no ramo de automóveis foi registrada a mais baixa sinistralidade dos últimos cinco anos: 72,7% em 2004; 68,9% em 2005 e 66,3% em 2006.

Aumento

Portanto, para este ano é esperado um aumento para a ordem de 67%. E as companhias não absorverão esse débito: farão balanços para repassá-lo ao consumidor.

"A carteira de automóveis muitas vezes é revista até semanalmente. Por isso que esse aumento já deve chegar este ano", explicou o responsável pelo levantamento, Gustavo Mello.

Combate à criminalidade

"Essa possibilidade de aumento não é baseada em números, mas em opinião por conta dos dados estatísticos anteriores", salientou Mello. De acordo com ele, esse aumento da sinistralidade, por mais incrível que pareça, é resultado do combate à criminalidade instaurado pelos governos do Sudeste.

O motivo é o modelo da violência. Supondo que o tráfico de drogas seja combatido, os "empregados" da prática, aqueles que não ganham tanto quantos os "diretores" precisarão procurar seu sustento em outras atividades ilícitas.

Com o crime "macro" enfraquecido, a alternativa são os pequenos atos, como roubo e furtos. E é aí que os consumidores pagam a conta.

Fora da tendência

Essa não é a tendência em nenhum dos ramos - auto e residencial - pelo menos na Mapfre Seguros. A afirmação foi feita pelos vice-presidentes dos ramos Unidades de Seguros Gerais e Auto, respectivamente, José Bailone Júnior e Jabis de Mendonça Alexandre.

No que diz respeito à proteção da casa, explicou Bailone, não houve aumento no pagamento de sinistros por conta de roubos e furtos. O grande problema da época, adicionou, são os danos causados pela natureza - elétricos e de vendaval.

"É por causa da época do ano, de mais chuvas", afirmou. Conforme o vice de Unidades de Seguros Gerais, a criminalidade corresponde a cerca de 35% dos reembolsos. Aqueles resultantes de fenômenos naturais respondem por cerca de 40% - com incremento de algo em torno de 50% no verão.

Regiões

"Mas isso não é linear no País inteiro. Depende da região", adicionou, lembrando que essa variação ocorre tanto em relação à violência quanto a danos causados pela natureza. "Na cidade de São Paulo, por exemplo, tanto para roubo quanto para dano elétrico e vendaval, não há alterações muito significativas", explicou.

A Mapfre tem cerca de 440 mil residências seguradas, e o pagamento de sinistros dessa carteira corresponde a 1% do total.
Movimento inverso

Alexandre, do ramo de Auto, afirmou que a Mapfre nota uma redução nas ocorrências de roubo e furto - principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em nível Brasil, a queda foi de 10% no ano passado. "Há quatro, cinco anos, as empresas notam uma diminuição nos índices, porque lançam serviços de precaução ao risco", explicou. Na seguradora em particular, o sistema utilizado é o rastreador.

"Com isso, fica mais fácil de encontrar o carro roubado ou furtado", disse, adicionando que 80% dos veículos com o dispositivo são encontrados, ao passo que de 40% a 42% daqueles que não o possuem retornam à garagem do dono.

A tendência para o usuário, pelo menos para a seguradora, é de queda nos preços. "Se nos próximos meses se confirmar essa redução, desde que as ocorrências de perda total e parcial não se alterem, a possibilidade é que o prêmio fique menor", afirmou.

Normalidade

Adelson Cunha, membro da Comissão de Riscos Patrimoniais, e Ricardo Teixeira, diretor de Auto e Assuntos Institucionais, ambos da Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e Capitalização (Fenaseg), explicam, que, com a escalada da violência e, em conseqüência, o aumento de pagamento de sinistros, o encarecimento do preço do seguro é uma tendência normal.

Contribuição

Cunha afirmou ainda que a criminalidade contribui também para o aumento da procura do seguro residencial. "Quando é muito falado na imprensa as pessoas se tocam para isso e ficam sensibilizadas a compras", afirmou.

De acordo com ele, a venda de apólices de casas sobe de 8% a 10% por ano. E exatamente por conta desse crescimento que o prêmio - em uma média de R$ 150 (ao ano) - não sofreu aumento. "Apesar de terem aumentado as ocorrências, elas foram absorvidas com a inserção de novos segurados", finalizou.

Freqüência e severidade

Xavier, por sua vez, preferiu não falar em valores ou índices de pagamento de sinistros. "É difícil fazer um monitoramento, ainda mais porque, com tantos fatores influenciando, é complicado tirar uma referência", explicou, lembrando que, para realizar o cálculo do preço do seguro, a empresa leva em consideração o seu histórico de ocorrências.
"Ela analisa tanto a freqüência quanto a severidade. E a diferença de preço é em decorrência da experiência de cada uma", finalizou.

Fonte: Segs