Queda da Selic dá confiança ao mercado, afirmam economistas

21/01/2009
São Paulo - O corte de um ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) terá efeitos sobre toda a economia nacional. Porém, segundo os economistas ouvidos hoje (21) pela Agência Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central causará principalmente o aumento da confiança do mercado sobre os rumos do Brasil frente à crise mundial. “A redução da Selic dá um alento para a economia e mostra que o Banco Central está agindo”, disse Carlos Roberto de Castro, ex-presidente no Conselho Federal de Economia. Apesar de considerar que a redução poderia ter sido ainda maior, de até 1,25 ponto percentual, Castro admitiu que o corte da Selic anunciado há pouco trará benefícios. “É uma luz no fim do túnel para a atividade econômica, que já terá seu crescimento comprometido neste ano”, afirmou, citando dados de redução da produção industrial. Ele afirmou ainda que a decisão do Copom também afetará a disponibilidade de crédito no país. Segundo Castro, a crise internacional trouxe temor a bancos e investidores, e a atitude do Copom alivia essa “tensão”. “A queda não vai causar uma redução imediata dos juros bancários, mas já dá mais confiança para que bancos voltem a emprestar”, disse Castro. O professor da Faculdade de Administração e Economia da Universidade de São Paulo (USP), Heron do Carmo, também acredita nos efeitos positivos da queda da Selic sobre a confiança do mercado nacional como um todo. Ele explicou que a Selic é como um “piso dos juros” no país, já que é estabelecida pelas taxas que o governo paga na venda de títulos da dívida pública. Se o governo paga menos juros, a tendência é que títulos emitidos por bancos também tenham juros menores. Isso diminui o juros dos empréstimos e cria um ambiente mais favorável a investimentos. “Os juros dos empréstimos para empresas tendem a cair num longo prazo”, afirmou Heron do Carmo. “O governo também passa a gastar menos com os juros da dívida pública, já que a Selic corrige boa parte dessa dívida”.Heron do Carmo afirmou ainda que espera novas queda até o final do ano. Segundo ele, a Selic deve encerrar 2009 em, pelo menos, 9,75% ao ano.

Fonte: Agência Brasil