FED prevê recuperação da economia americana só daqui a dois ou três anos

24/02/2009
Brasília - A total recuperação da maior economia do planeta só ocorrerá dentro de dois ou três anos, segundo prognóstico do presidente do Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke. O prazo pode ser menor se o governo de Barack Obama, o Congresso e o próprio FED conseguirem restaurar, em alguma medida, a estabilidade do mercado financeiro. “Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke, hoje (24), ao apresentar relatório semestral de política monetária ao Senado norte-americano. O presidente do Fed apontou as causas da atual recessão, mencionou as consequências da crise nos Estados Unidos e enumerou as medidas tomadas pelo governo, mas reconheceu que se mantém a tendência de aguda retração da atividade econômica no primeiro quadrimestre de 2009. Também lembrou que, em janeiro, os técnicos do FED reviram para baixo a previsão de crescimento da economia americana para 2009. A nova projeção é de uma queda entre 0,5% a 1,3% do PIB – em outubro de 2008, a expectativa variava entre uma retração de 0,2% e uma taxa de crescimento de 1,1%. “Estas projeções refletem uma já esperada significativa retração na primeira metade deste ano, combinada com uma retomada gradual do crescimento na segunda metade”, disse Bernanke. As projeções para 2010 são melhores, mas ainda modestas. “Os formuladores de políticas do FED continuam esperando uma expansão moderada no próximo ano, com tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”, frisou. Já a taxa de desemprego só deve começar a cair no final do próximo ano, ficando em torno de 8%. Bernanke ressaltou, no entanto, que o panorama ainda é bastante incerto. Um dos maiores riscos, segundo ele, vem da “natureza global” da retração econômica – o que, na sua avaliação, pode afetar as exportações americanas e as condições financeiras além das atuais projeções. Outro risco apontado pelo presidente do FED é a “força destrutiva” da inter-relação entre a fragilidade da economia e as condições financeiras. “Para quebrar este ciclo adverso, é essencial que continuemos a dar estímulos fiscais, com uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”, alertou. Ontem (23), o FED e o Tesouro americano anunciaram novas modalidades de ajuda a bancos em dificuldade, com possibilidade de nacionalização das instituições. Índice do Conference Board divulgado hoje mostra que a confiança dos consumidores norte-americanos chegou, em fevereiro, ao pior nível dos últimos 40 anos. O índice foi de 25 pontos, contra 37,4 pontos registrados em janeiro – o mais baixo desde 1967.

Fonte: Agência Brasil