Empresários pedem mais facilidades de crédito ao governo federal

05/03/2009
Brasília - A escassez de crédito foi o tema central da reunião (5) do Grupo de Acompanhamento da Crise, formado por integrantes da equipe econômica do governo e por empresários de diversos setores. “Nossa reunião foi quase monotemática”, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, à saída do encontro de durou três horas no Ministério da Fazenda. Segundo ele, o governo ouviu as queixas do empresariado, mas não prometeu nada de concreto. “Não há nenhuma medida nova, ,mas há uma preocupação de verificar como operacionalizar melhor as linhas [de crédito] que existem, como fazê-las funcionar de maneira mais adequada”, relatou. Como exemplo, citou o Progeren – linha para giro disponibilizada pelo Sistema BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que não estaria sendo operada pelos bancos. “Os recursos repassados para o sistema financeiro aplicar não estão sendo aplicados”, denunciou. O governo também ficou de analisar a ampliação do uso do Cartão BNDES. Os empresários sugerem que os recursos sejam usados para financiar o pagamento de impostos, por exemplo. Segundo Armando Monteiro, muitos setores estão sendo fortemente atingidos pela crise internacional, principalmente bens de capital, máquinas e ferramentas e siderurgia – esse último, afetado tanto no mercado interno quanto nas exportações. A avaliação geral, segundo Armando Monteiro, é de que a reunião de hoje foi mais produtiva que as anteriores. Os empresários também saíram satisfeitos com o compromisso do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de manter o superávit primário em 3,8% e promover profundos cortes no custeio para direcionar mais recursos a investimentos. “São dois sinais que me parecem importantes para a sociedade neste momento”, disse o presidente da CNI. “Se houver uma redução razoável na Selic [taxa básica de juros, atualmente em 12,75%], você constrói um espaço fiscal para assegurar a manutenção do superávit e manter a capacidade de investimento do Estado brasileiro”, completou. O ministro Mantega também comunicou aos empresários decisão, já anunciada na manhã de hoje no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, de ampliar a faixa de alcance do plano habitacional que deve ser lançado pelo governo federal na segunda quinzena deste mês. O pacote – que prevê a construção de 1 milhão de casas até 2010 – inicialmente destinava-se a famílias com renda inferior a cinco salários mínimos e agora deverá oferecer facilidades para famílias com renda até dez salários mínimos, com mais subsídios para as de menor renda. Segundo o presidente da Associação da Indústria de Material de Construção (Abramat), Melvyn Fox, os recursos virão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Fonte: Agência Brasil