Analistas apostam em redução de um ponto percentual na taxa Selic

09/03/2009
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia amanhã (10) sua segunda reunião deste ano. O objetivo é fixar a taxa básica de juros, também conhecida como Selic, porque é o índice usado para remunerar os títulos públicos depositados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). O colegiado de diretores do BC se reúne sob pressão dos analistas de mercado e de instituições financeiras para acelerar o ritmo de queda da Selic, afirma o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. Depois da divulgação dos dados da indústria em janeiro, com redução de 17% em relação ao mesmo mês de 2008, “muitos analistas revisaram a aposta para corte de 1,5 ponto percentual”, disse Campos, que se incluiu entre eles. Com isso, estima-se que a taxa básica atual, de 12,75% ao ano, caia para 11,25%, mesmo patamar do início do ano passado. De acordo com Campos, até a semana passada, havia um quase consenso de que a redução a ser anunciada quarta-feira (11), no segundo dia da reunião do Copom, seria de 1 ponto percentual. No entender de Campos, como números da economia continuam em “franca deterioração” e não há pressão inflacionária, o momento é propício para uma atuação "mais ousada" do Copom. A economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, concorda e acredita em mais reduções da Selic ao longo do ano, de modo que a taxa básica de juros chegue ao final do ano abaixo de dois dígitos. Além do contexto interno, Campos lembra que “o ambiente permaneceu negativo nos mercados internacionais na última semana, com preocupações acentuadas em torno das montadoras norte-americanas e do setor financeiro global, embora o pessimismo decorra de uma percepção mais ampla de que a crise atual manterá a economia mundial enfraquecida por uma período maior do que o imaginado anteriormente”. Campos disse que parte desse sentimento decorre da “situação extremamente grave enfrentada pela economia norte-americana”. Ele citou dados divulgados sexta-feira (6) mostrando taxa de desemprego de 8,1% nos Estados Unidos, a maior em 25 anos, por causa do fechamento de 4,3 milhões de empregos nos últimos 14 meses. O economista lembrou também que no Reino Unido, na chamada Zona do Euro e no Japão, o cenário é semelhante, destacando que só a China tenta manter algum sinal de vigor, embora o governo do país não tenha elevado o pacote de estímulo econômico”.

Fonte: Agência Brasil