Microempresários vão pedir a Lula para abreviar criação de empresas e abrir acesso ao crédito

12/04/2009
Brasília - O caminho que os brasileiros percorrem até conseguir formalizar a criação de sua empresa ainda é cheio de incertezas. A agilidade do processo depende de vários fatores, como, por exemplo, o estado onde se tenta abrir um negócio. Nesse momento, a informalidade acaba sendo o rumo escolhido por muitos, como conta o presidente da Associação Nacional dos Sindicatos da Micro e Pequena Indústria (Assimpi), Joseph Couri. Para tentar melhorar as condições dos micro e pequenos empresários, o presidente da Assimpi levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva propostas que o governo federal poderia adotar para o setor. “A formalização da abertura de empresas pode levar de dois a 30 dias, dependendo do estado. O problema é quando você entra no imponderável. Quando se entra na frase 'depende' é que começam os problemas e muitos acabam desistindo de se formalizar, de estar na legalidade, o que é muito ruim”, disse ele, em entrevista à Agência Brasil. Além desse problema, outros foram intensificados com a crise financeira, como o acesso ao crédito. Segundo Couri, em setembro do ano passado a liberação de crédito pelos bancos era efetuada em até dois dias, enquanto hoje a mesma operação chega a demorar até 15 dias. O valor das taxas de juros também foram multiplicadas. “Levaremos ao presidente sugestões de uma agenda construtiva para fortalecimento do mercado interno, desoneração do micro e pequenos empresários, que tiveram aumento de carga tributária, e acesso, redução do custo e mais agilidade para acesso ao crédito”, afirmou Couri. Uma audiência com o presidente Lula estava agendada para esta segunda-feira (13), mas teve de ser desmarcada e ainda não foi definida outra data para o encontro. Em fevereiro, a associação assinou um protocolo de intenção com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) contra acordos coletivos que reduzam o salário e a jornada de trabalho dos funcionários, o que causa uma redução do poder de compra e ameaça o mercado interno, público alvo dos micro e pequenos empresários. Atualmente, o setor representa, de acordo com a Assimpi, 99% de todas as empresas no Brasil e 94% daquelas do ramo industrial. As mais de seis milhões de micro e pequenas empresas respondem por 60% dos empregos diretos da economia formal. Segundo Couri, apesar da crise, o segmento vem se recuperando e a espectativa é de chegar ao fim do ano com um saldo positivo na geração de empregos, ao contrário da maioria dos outros ramos da economia.

Fonte: Agência Brasil