Volume de crédito sobe, mas juro também

24/11/2004

As concessões de crédito brasileira aumentaram 5,4% no mês de outubro, impulsionados pelos segmentos de financiamento de bens, penhor e operações de curtíssimo prazo. Após a queda de 2% no mês anterior, as concessões aumentaram 3,5% em outubro, em relação a setembro, somando R$ 32,536 bilhões. Embora o mês tenha tido um dia útil a menos que setembro, todas as modalidades de crédito apresentaram crescimento.

Os adiantamentos ao depositante (empréstimos de curtíssimo prazo), o penhor e os financiamentos de bens como eletroeletrônicos, móveis e materiais de construção foram os destaques do mês.

Esse é um fator natural no final no último trimestre do ano, já que historicamente o financiamento de bens aumenta por conta da expectativa de recebimento da primeira parcela do 13º salário, que ocorre até o dia 30 de novembro.

Com relação ao estoque total do crédito, as linhas voltadas ao consumo alcançaram a marca de R$ 107,52 bilhões, um aumento de 1,8% em relação a setembro. Na comparação com outubro de 2003, a alta foi de 19,6%.

Com exceção do cheque especial e do cartão de crédito, os demais produtos apresentaram alta no volume de saldo. A aquisição de outros bens subiu 7,3% em relação ao período anterior. O financiamento de veículos teve um aumento de 0,7%. O crédito pessoal, que em outubro ultrapassou a marca dos R$ 40 bilhões, aumentou 3,7% no mês e 32,6% no ano.

Juros - Acompanhando o processo de alta da Selic, pelo Banco Central, que se iniciou em agosto deste ano, a taxa de juros média cobrada nas diversas modalidades de crédito também aumentou. Em outubro, pelo terceiro mês consecutivo, o índice subiu 0,9 ponto percentual, passando para 64,1% ao ano. A maior elevação foi registrada na modalidade aquisição de bens, que passou de 60,6% ao ano em setembro para 61,3% ao ano em outubro.

Depois de passar os meses de agosto e setembro inalterados, os juros do cheque especial voltaram a subir, alcançando em outubro 141,0% ao ano, o que explica, em parte, a queda na preferência pela modalidade.
O aumento da taxa de juro do crédito, captado pela pesquisa, deverá permanecer, a julgar pelos últimos movimentos dos contratos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), referência para as taxas de captação dos bancos e financeiras.

Depois do aumento da Selic, para 17,25% na semana passada, e a percepção de que o ciclo de ajuste ainda não acabou, as taxas de juros ficaram ainda mais pressionadas na BM&F. Os contratos com vencimento em abril de 2005, mais negociados, encerraram a segunda-feira projetando juros de 18% em termos anuais, ante 17,80% do fechamento da semana anterior à reunião do Copom. Esse movimento manterá elevadas as taxas dos empréstimos.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.