Economistas divergem sobre efeitos da compra do Ponto Frio pelo Pão de Açúcar para consumidor

08/06/2009
Rio de Janeiro - A aquisição da rede varejista de produtos eletrônicos e eletrodomésticos Ponto Frio, anunciada hoje (8) pelo Grupo Pão de Açúcar, faz com que o setor de eletroletrônicos fique cada vez mais oligopolizado. “Isso significa que são poucas empresas que dominam o setor. Para o consumidor, isso não é bom, porque acaba inibindo a concorrência”, avaliou o economista Francisco Barone, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), da Fundação Getulio Vargas. Segundo ele, quanto menor o número de empresas de um determinado setor no mercado, a tendência é de todas convergirem para um preço médio. O resultado pode ser a manutenção ou mesmo um aumento de preço ao consumidor final. “É a mesma coisa com as empresas de petróleo. A gasolina tem, mais ou menos, o mesmo preço, porque são poucas as distribuidoras”, disse Barone. Já o coordenador do curso de MBA (Master in Business Administration, ou mestre em Administração de Negócios, em português) empresarial em branding (processo de construção de marca), da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), José Roberto Martins, acredita que a aquisição do Ponto Frio pelo Pão de Açúcar será interessante para o consumidor. “Porque é mais uma alternativa de compras de uma empresa que vai ter um custo equivalente às melhores ofertas do mercado”. Na opinião de Martins, o Grupo Pão de Açúcar conseguirá, com isso, negociar grandes descontos com os fabricantes, que acabam sendo repassados aos consumidores por meio de ofertas promocionais, a preços atraentes. “Então, para o consumidor, são só vantagens”. Martins afirmou que não há perspectiva de elevação de preços, na ponta, para o consumidor final, “porque o setor não é tão concentrado, como no caso das empresas de alimentos. Você já tem uma outra estrutura concorrencial diferenciada, em que ganha quem tiver o melhor serviço e o melhor preço”. Numa análise sobre os postos de trabalho do Ponto Frio, Barone, da FGV, estimou que não deverá haver uma mudança significativa. “Porque as atividades não são sobrepostas. Elas podem ocorrer paralelamente. Uma coisa é a área de varejo do Pão de Açúcar. E outra coisa é a área de eletroeletrônicos do Ponto Frio.” O economista acredita que, em um primeiro momento, “principalmente, no que se refere ao pessoal das lojas, não deverá ocorrer nenhum movimento de demissão". No que se refere ao pessoal da parte administrativa, a tendência é que seja promovida uma homogeneização, no médio prazo. Ou seja, o Grupo Pão de Açúcar deve absorver a área administrativa do Ponto Frio, na avaliação do professor da FGV. “E aí, com certeza, os postos que são duplicados serão eliminados”, avaliou Barone. Martins também acredita que, em um primeiro momento, não deverá haver mudanças na questão do emprego, ainda que reconheça que uma operação desse porte envolva sinergias, que “são um eufemismo para controle de custos”. A possível redução da massa de empregados do Ponto Frio não deverá, contudo, acontecer da noite para o dia, na avaliação do professor da FAAP. Com base na liderança que será exercida no mercado, a partir de agora, pelo Pão de Açúcar, Martins argumentou que “liderança requer capital humano”. E acrescentou que é possível, inclusive, que haja um crescimento da oferta de empregos. “É um investimento ousado porque a própria rede Pão de Açúcar está passando por uma reestruturação” A fusão resultará em um faturamento anual para o Pão de Açúcar de cerca de R$ 26 bilhões.

Fonte: Agência Brasil