Decisão do BC deve pesar sobre os empréstimos

20/12/2004

O Banco Central optou por fazer o quarto aumento consecutivo na taxa básica de juros (Selic) brasileira, dessa vez para 17,75% ao ano, elevando a Selic em 0,5 ponto porcentual. A decisão confirmou as previsões da maioria dos analistas, mas frustrou aqueles mais otimistas, que pensavam na possibilidade de uma decisão menos agressiva do Copom e um aumento de  0,25 ponto porcentual.

Como justificativa só resta a inflação. O núcleo em termos anuais está em torno de 7%, acima do objetivo de 5,1% para 2005. Também as expectativas ainda estão elevadas, embora tenham começado a ceder, para 5,78%. Pior do que o ajuste foi a ausência de sinais que indiquem a proximidade do fim do processo da alta da Selic. Assim, não dá para se afirmar que este será o último aumento de juros.

Reflexo - Como resultado, o ajuste na Selic determinou correções nas taxas mais longas dos contratos futuros de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), referência para os bancos na captação de recursos para empréstimos. Os contratos com vencimento em abril de 2005 na BM&F projetaram taxa de 17,93% em termos anuais, ante 17,79% na semana anterior. Assim, a julgar pelo movimento, a decisão contribuirá para manter as taxas do crédito em alta e a economia brasileira em processo de desaceleração.

Agora, a ata da reunião do Copom, na próxima quinta-feira, dia 23, será a palavra final e guiará os agentes financeiros por trazer a avaliação dos técnicos do Banco Central para a decisão de aumentar a taxa básica de juros e suas perspectivas. Os economistas buscarão vestígios no relatório que evidenciem que esse tenha sido o último ajuste do BC. Caso esses sinais não sejam encontrados,  novos ajustes nos contratos futuros devem ocorrer e consolidar o quadro de encarecimento das taxas de juros cobradas nos empréstimos e financiamentos.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.