Pacote de apoio ao setor de bens de capital deve ser divulgado na próxima semana

19/06/2009
Rio de Janeiro - Um pacote de medidas de apoio ao setor de bens de capital deverá ser anunciado no fim da próxima semana. O assunto está sendo discutido no Ministério da Fazenda, disse hoje (19) o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, ao participar do 13º Fórum Nacional de Secretários de Planejamento, no Rio de Janeiro. Coutinho não quis fornecer detalhes porque as medidas ainda estariam em fase de formatação, mas informou que também estão sendo estudadas ações para estimular o investimento e a renovação do parque industrial. O setor de bens de capital sofreu grande impacto com a crise financeira internacional iniciada em setembro de 2008 e que prejudicou as exportações e os empregos. O pacote pretende estimular as vendas do setor. Na avaliação do presidente do BNDES, o setor de bens de capital está diante de um período de dificuldades. Mas, assegurou que a expectativa é de recuperação. “Até porque o programa de investimentos em petróleo e gás, por exemplo, demandará crescentemente equipamentos, sistemas etc, o que permitirá uma certa reconversão de parte da área de bens de capital hoje voltada para outros setores, para a área de petróleo e gás”. Coutinho considera que é “meritório” apoiar o setor de bens de capital. Disse que “nenhuma economia manufatureira, razoavelmente complexa, consegue se sustentar sem ter uma parte importante de bens de capital de origem interna”. Segundo ele, o Brasil não pode depender exclusivamente da oferta de bens de capital internacional, porque isso equivaleria a permitir o vazamento de todos os estímulos e programas para o exterior. Esclareceu, por outro lado, que as medidas em estudo não irão beneficiar somente a área de petróleo e gás, mas outros setores, como a agricultura. O presidente do BNDES informou que, atualmente, a demanda por bens de capital está mais concentrada nas grandes obras de infraestrutura voltadas para a energia elétrica e o petróleo e gás. “Na indústria de transformação, as encomendas estão muito baixas. As empresas estão consumindo, na verdade, as carteiras de encomendas que já existiam no ano passado”, afirmou. Como a percepção é de que a demanda vai voltar a partir do fim deste ano, Coutinho reiterou a necessidade de se apoiar o setor de bens de capital. Ele revelou que alguns estados, inclusive, estão mais suscetíveis a tornar a tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) mais leve em relação a bens de capital neste período de maior dificuldade. Para o presidente do BNDES, a economia brasileira terá um crescimento razoável este ano, em comparação ao mundo. “Os países desenvolvidos vão ter queda de 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e o Brasil vai estar crescendo perto de 1% ou um pouquinho abaixo. É muito bom”. Coutinho acredita que em 2010 o Brasil crescerá 4%. Segundo ele, a economia brasileira está em processo lento de recuperação e que ainda devem ser feitas muitas políticas de estímulo para consolidar esse processo. Edição: Aécio Amado

Fonte: Agência Brasil / Repórter: Alana Gandra