Decisão do Copom influencia crédito

21/01/2005

Pelo quinto mês consecutivo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. O aumento foi de 0,5 ponto percentual, para 18,25% ao ano.

O novo aumento era esperado pela maior parte dos agentes financeiros e, por isso, não chega a surpreender. Mas o fato de a decisão ter sido unânime e de o BC ter mantido o mesmo texto das três reuniões anteriores deixa a impressão de que os aumentos podem continuar por todo o primeiro trimestre.

O Copom mostra ainda muita preocupação com a piora das projeções do IPCA de 2005, que voltaram ao patamar de 5,70%, na última pesquisa Focus do Banco Central. Outros fatores contribuem para a cautela do BC. Existe a possibilidade de um aperto monetário mais forte pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA, e a produção industrial brasileira deverá se recuperar em dezembro, após três meses de acomodação.

Como o aumento da taxa básica, os juros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) dispararam. Os juros projetados nos contratos com vencimento em janeiro de 2006, que já vinham em alta e eram negociados a 18,36% em termos anuais no fechamento de quarta-feira, subiram para 18,56% após a reunião do BC. Como esses juros são referências para a captação dos bancos, o efeito deverá ser sentido novamente nas taxas cobradas nos empréstimos.

Expansão - Agora, as atenções se voltam para a ata do Copom, a ser conhecida na próxima semana, que propiciará nova avaliação dos cenários da taxa de juros para os próximos meses. Os analistas buscarão sinais no relatório de quando o processo de aumento da Selic será interrompido.

Apesar de a decisão do comitê contribuir para o encarecimento dos financiamentos, os bancos prevêem que o crédito prosseguirá o seu ciclo de expansão em 2005. As operações para pessoa física têm crescido, com o propósito das instituições em atuar em novos segmentos e por algumas novas modalidades, como os empréstimos com desconto em folha de pagamento. No caso das empresas, a recuperação da demanda incentiva a retomada dos investimentos.

Segundo pesquisa da Febraban divulgada na semana passada, as carteiras de pessoas físicas devem crescer 21,9% em 2005. Já o crédito para as empresas terá avanço de 17,9%. Essas projeções consideram um crescimento de 3,6% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e uma Selic de 16% em dezembro de 2005.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.