Taxa média do crédito pessoal recua

31/01/2005

Os empréstimos para pessoas físicas totalizaram R$ 113,6 bilhões em dezembro de 2004, um aumento de 1,1% no mês, conforme os dados divulgados pelo Banco Central. Esse desempenho deve-se principalmente ao crédito pessoal e ao financiamento de veículos. Em sentido inverso, o saldo de cheque especial caiu, refletindo o recebimento do décimo terceiro salário pelos trabalhadores.

Com relação ao custo médio geral das operações de crédito, houve queda de 0,7 ponto porcentual em dezembro, alcançando 45% ao ano. O resultado deve-se aos empréstimos para pessoas físicas, com destaque para crédito pessoal, cuja taxa caiu de 73,8% ao ano, em novembro, para 70,8% em dezembro.

Dessa maneira, a taxa média, das operações com pessoas físicas foi reduzida em 1,9 ponto porcentual, situando-se em 61,5% ao ano. O comportamento foi explicado pelo aumento na participação relativa dos empréstimos consignados em folha de pagamento. O movimento praticamente anulou todo o efeito do ajuste da Selic pelo Banco Central, que já dura cinco meses e elevou a taxa básica em 2,5 pontos, para 18,25% ao ano.

Vale ressaltar a influência da queda de 10,6% no saldo das operações com cheque especial, por causa do custo elevado dessa modalidade, que subiu ainda mais nos últimos meses, seguindo a política de alta de juros do BC. As taxas do cheque especial atingiram 144% ao ano em dezembro, ante 142% em novembro, o terceiro aumento consecutivo.

Para janeiro, a tendência ainda é positiva para o crédito, com projeção de alta entre 20% a 30% sobre o mesmo mês de 2004, uma base importante de comparação por ser mais elevada. Segundo fontes do mercado, a demanda por crédito este mês está "atipicamente forte" e a tradicional parada nos negócios até fevereiro não aconteceu.

Assim, os reais efeitos da política monetária mais apertada ainda não apareceram e só devem afetar a atividade econômica no segundo trimestre. Por isso, o mercado prevê queda nos juros apenas no segundo semestre.

O mercado futuro de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), referência para captação dos bancos, prevê mais um ajuste de 0,50 ponto porcentual para fevereiro e de 0,25 em março. Mas tudo depende do Copom. Espera-se um relatório cauteloso, destacando o fôlego do crescimento em dezembro e os riscos potenciais desse cenário para a inflação.

Após acomodação da produção industrial em novembro, é esperada nova alta, de até 2%, na indústria em dezembro. O relatório também deve citar a piora do quadro internacional, como a trajetória do dólar, o elevado preço do petróleo e as incertezas quanto ao futuro dos juros nos EUA.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.