Decisão do Copom deve aumentar juro do crédito

21/03/2005

Pelo sétimo mês consecutivo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic - agora é de 19,25% ao ano. A conseqüência dessa medida foi o aumento dos juros futuros na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o que se deve refletir nas taxas cobradas nos empréstimos e financiamentos.

Quem busca um empréstimo ou já tem dívidas está sentido no bolso a política de aperto monetário. A saída é tentar opções para reduzir o endividamento. Se não tiver dinheiro para quitar as contas, uma das saídas é trocar dívidas com juros mais elevados por crédito com taxas mais baixas. Nos últimos meses, como mostra a última pesquisa do Procon, o dinheiro tem ficado cada vez mais caro.

Uma possibilidade é adiantar a restituição do imposto de renda, que tem juros próximos de 3% ao mês. Outra alternativa é o crédito pessoal, que normalmente tem juros mais baixos que o do cheque especial ou do crédito rotativo do cartão de crédito, por exemplo.

Aplicações - Mas se você não está entre aqueles que estão precisando de algum dinheiro para fechar as contas e, ao contrário, terá alguma reserva, pode pensar em investir. O novo aumento da Selic eleva o rendimento dos investidores que têm dinheiro em aplicações financeiras pós-fixadas, como fundos referenciados DI, CDB-DI e até na poupança. O juro mensal de referência para aplicações como fundos e CDB passa de 1,44% (18,75% ao ano), para 1,48% (19,25% ao ano) antes do Imposto de Renda, variando conforme os dias úteis, ou 1,18%, já descontado um IR médio de 20%.

O rendimento diminui ainda de acordo com a taxa de administração cobrada no caso dos fundos. Se preferir, pode optar por investimentos em CDB-DI de bancos grandes, que não sofrem com problemas de variação de rendimento, como ocorre com os fundos. Para melhorar seus ganhos, escolha sempre um fundo que cobre até 1% de taxa de administração e CDB que renda acima de 93% do CDI.

O rendimento dos fundos de renda fixa não deverá ser prejudicado pelo aumento, já que estava prevista nas operações feitas na BM&F, referência para o preço dos papéis prefixados. Agora, o rendimento dependerá da interpretação dos agentes financeiros em relação à ata do Copom e seu efeito sobre a curva de juros futuros da BM&F.

Dólar e bolsa - Para quem tem obrigações, custos ou planeja gastos em dólar, o patamar atual, de R$ 2,75, ainda é interessante. Mas, se for para investir, não vale a pena. Se for aplicar algum dinheiro em dólar, faça com uma pequena quantia, como diversificação. Lembre-se de que o aumento da taxa de juros favorece o ingresso de recursos para aplicações de renda fixa, aumentando a pressão sobre a moeda norte-americana, que pode voltar a cair ou, no máximo, se valorizar pouco.

Com a previsão de 18,5% para a Selic média em 2005, faltando ainda nove meses para o final do ano, só para empatar com um investimento em CDB-DI, por exemplo, o dólar deveria subir para cerca de R$ 3,12 em dezembro de 2005, o que não é esperado. Segundo a pesquisa semanal Focus do Banco Central, os principais analistas de bancos que operam no Brasil prevêem que a moeda norte-americana chegue a R$ 2,85 no final de 2005, ou uma valorização inferior a 5% em relação à cotação atual. Portanto, o ganho projetado em renda fixa ainda é maior.

Na Bolsa de Valores, o impacto do novo aumento será pequeno, mas os investidores devem permanecer cautelosos até ficar evidente a interrupção do ciclo de ajuste da Selic. A tendência desse mercado é indefinida no momento, tendo em vista o nebuloso cenário externo, sobretudo, a trajetória dos juros nos Estados Unidos (reunião do BC dos EUA no dia 22) e o elevado preço do petróleo. Também surgem dúvidas sobre a manutenção do fluxo positivo de recursos estrangeiros para a compra de ações no Brasil.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.