Volume e taxa de juros sobem

28/03/2005

O total emprestado às pessoas físicas chegou a R$ 120,8 bilhões em fevereiro, crescimento de 3,2% em relação a janeiro. Isso apesar de os juros médios sobre operações de crédito terem atingido 64% ao ano, nível mais alto desde o mesmo mês do ano passado. Nos primeiros dias de março, a elevação já chegava a 2,1%. Os empréstimos com desconto em folha ajudaram a aumentar o bolo do crédito e chegaram a R$ 13,6 bilhões (taxa de juros de 39,4% ao ano). Na média, os juros cobrados pelos bancos subiram de 46,8% ao ano em janeiro para 47,5% no mês passado.

Fatores - Existem vários fatores contribuindo para o aumento das concessões de crédito. Além da perda do controle orçamentário de muitas famílias neste início do ano, para arcar com o maior volume de gastos dessa época, como IPVA, IPTU e despesas escolares, há também o crescimento das vendas parceladas, que entram na conta das concessões, a melhora do nível de emprego, que aumenta o número de potenciais tomadores de empréstimos, e o surgimento de novas modalidades, como o crédito com desconto em folha. Assim, é natural a tendência de crescimento do volume de crédito, conforme o avanço da economia.

Com relação aos juros, as taxas dos financiamentos estão e ficarão mais pressionadas diante da decisão do Banco Central de aumentar novamente a Selic e manter o juro básico elevado por maior tempo. As taxas de juros da BM&F, referência para captação dos bancos, subiram com força na última semana, após a decisão do Copom. Nos contratos com vencimento em janeiro de 2006, mais negociados, os juros que estavam abaixo de 19% antes da reunião, dispararam para 19,53% em termos anuais. Seria preciso uma sinalização do BC para a interrupção do ciclo de aperto monetário, para que os investidores enxerguem a possibilidade de uma futura queda da Selic.

Enquanto isso não ocorre, a taxa média do crédito para pessoa física continuará ao sabor de dois fatores. Seguirá pressionada para cima pela alta do custo de captação dos bancos e para baixo pelo crescimento das modalidades que cobram juros menores. O vetor dessas forças é que dará a tendência dos juros no crédito. Nos últimos meses, o custo de captação falou mais alto e a taxa média subiu.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.