Veja o peso das taxas de juros

19/04/2005

Você pede um empréstimo e não dá muita importância à diferença cobrada nos juros de um lugar para outro, considerando que o valor é pequeno. Mas deveria dar. Apenas para que você tenha uma idéia, compare taxas de 1,75% e 4,5% e veja o tamanho do estrago que ela pode fazer no seu orçamento. Num empréstimo de R$ 1.000, você vai pagar 36 parcelas de R$ 37,68 ou R$ 1.356,30 no total, se o banco cobrar 1,75%. Já para 4,5% ao mês, a prestação será de R$ 56,61 e o total, de R$ 2.037,81. Ou seja, para uma diferença de R$ 672,51 ou 49 % no final.

Na hipótese de juros de 2,8% ao mês, uma dívida de R$ 1 mil seria transformada em 24 prestações de R$ 57,8 ou R$ 1,387 mil no financiamento total . No crédito pessoal convencional (há também o chamado crédito consignado) supondo-se juros de 4,8% ao mês,  as prestações seriam de R$ 71,00, ou R$ 1.774,00. No cheque especial ou cartão de crédito, para quitar o débito em dois anos, você teria que pagar cerca de R$ 95,00 por mês ou R$ 2,28 mil no período.

O acirramento da concorrência entre os bancos no segmento de crédito pessoal está possibilitando aos devedores  renegociar as dívidas em melhores condições de prazos e taxas.

Pelo quinto mês consecutivo, os juros subiram nas instituições bancárias. Segundo a Fundação Procon, a taxa média mensal dos juros do cheque especial nos dez maiores bancos do País passou de 8,19%, em março, para 8,24% este mês - maior taxa desde 2003. No ano, a taxa corresponde a 158,6%. Nos empréstimos pessoais, a taxa estava no início de abril em 5,37% ao mês, ante 5,34% de março.

As taxas de juros no crédito refletem o aumento do custo de captação dos bancos nos últimos meses, como efeito do ciclo de aumento da Selic, e sua repercussão na curva de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), referência para a taxa de obtenção de recursos pelos bancos. Esse efeito tem superado o impacto positivo - no sentido da redução do spread bancário - do crescimento da concorrência, o surgimento de novas modalidades com juros mais baratos, como o crédito consignado na folha de pagamento, e outras medidas microeconômicas, como a aprovação da Lei de Falências. A informação é negativa para a economia brasileira, já que o segmento do crédito foi, e continua sendo, determinante para impulsionar as vendas, sobretudo nos setores de bens duráveis, como eletroeletrônicos e automóveis.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.