Consumidor fica cauteloso com juros

25/04/2005

O Comitê de Política Monetária (Copom) contrariou a maior parte dos economistas e aumentou os juros básicos da economia pelo oitavo mês consecutivo. O BC elevou a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 19,5% ao ano. E isso não é bom para quem deve ou precisa de um empréstimo. Como não era esperado pela maioria, o ajuste deverá ter repercussão negativa sobre os negócios. Por precaução, as taxas de juros projetadas na Bolsa e Mercadorias & Futuros (BM&F) já incluíam a possibilidade de aumento, mas isso não será suficiente para reverter esse impacto negativo.

Quem tem dívidas já está sentido no bolso a política de aperto monetário e continuará prejudicado pelos aumentos das taxas. A saída é buscar opções para reduzir o endividamento ou, ao menos, evitar o crescimento do débito. Os juros registram aumento nos últimos meses, como mostra a última pesquisa do Procon. Uma das alternativas é trocar uma dívida com juros altos por outra, com taxas mais baixas, se não puder liquidar à vista a pendência.

Com a decisão, o Copom mostra ainda extrema preocupação com a inflação, que vem subindo fortemente nas últimas semanas, refletindo choques nos preços agrícolas, nas commodities internacionais, como petróleo e aço, e reajustes de preços administrados, como ônibus. Também as projeções do IPCA de 2005 vêm piorando semanalmente e já superaram os 6% nas últimas pesquisas do BC com os economistas de instituições que atuam no Brasil.

Aumentos de juros minam a confiança do consumidor, porque segura os investimentos e o crescimento econômico. Com isso, os consumidores ficam mais resistentes a comprar a prestação ou fazer financiamento para atender aos mais diferentes desejos que não podem satisfazer à vista. Temem perder o emprego e, mais ainda, ter dificuldade para encontrar outra forma de renda no futuro.

Fonte: TPT Comunicação Ltda.