Mercado de cartões terá recorde de crescimento dos últimos cinco anos

20/09/2005

A previsão para o faturamento do mercado brasileiro de cartões de crédito em 2005 é de R$ 127 bilhões. O total representa crescimento real de 18,8% em relação a 2004. Com esse resultado, o mercado deverá registrar crescimento recorde: trata-se do maior percentual registrado desde 2001. Parte importante dessa expansão vem da vitalidade dos consumidores jovens, entre 18 e 29 anos, que valorizam a praticidade desse meio de pagamento e recorrem cada vez mais à sua utilização.

Os dados foram divulgados à imprensa por Fernando Chacon, diretor executivo de Marketing da Credicard, e constam da pesquisa exclusiva Como o consumidor brasileiro utiliza o cartão de crédito, parte da pesquisa Indicadores do Mercado de Meios Eletrônicos de Pagamento realizada pela empresa.

Com a expansão recorde prevista para esse ano, o total do consumo dos portadores brasileiros de cartões de crédito passará a representar 11,7% do consumo privado nacional. Com base em dados do IBGE, o levantamento estima que o consumo privado nacional atingirá R$ 1,08 trilhão ao final de 2005 (representando 55,4% do Produto Interno Bruto – PIB). Em 2001, a participação do consumo dos portadores brasileiros de cartões de crédito no consumo privado nacional era de 8,1%. Essa evolução não reflete apenas o sucesso do mercado nacional de cartões de crédito, mas a importância cada vez maior desse meio de pagamento na economia brasileira. Prático e eficaz, o cartão representa acesso fácil ao crédito a milhões de brasileiros – há hoje no Brasil 63,5 milhões de cartões em circulação (estimativa para setembro).

Cartão X Cheque

A substituição do cheque pelo cartão continua crescendo. Entre 2000 e 2005, o número de cheques compensados deverá cair 25,4%, enquanto o número de transações com cartão de crédito aumentará 118,8%. A tendência de substituição do cheque pelo cartão vai se manter nos próximos anos, uma vez que o dinheiro de plástico está cada vez mais popular. Em 2000, o número de transações com cheque foi de 2,63 bilhões; com cartões, atingiu 731 milhões de transações. Ao final de 2005, os dados serão de 1,96 bilhão de cheques compensados no ano, para 1,59 bilhão de transações realizadas com cartão.

Importante instrumento de crédito

A pesquisa revela também que o cartão de crédito ganha importância como instrumento de crédito. Os dados indicam que, entre as modalidades de crédito disponíveis para o consumidor, o cartão deverá representar, ao final de 2005, 12,5% das operações de crédito realizadas no país. A comparação é feita com outras modalidades de crédito como: cheque especial, crédito pessoal, financiamento imobiliário, aquisição de bens e outros. Mesmo com o forte crescimento de outros meios como o crédito pessoal, o cartão mantém a sua participação.

Perfil do consumidor jovem consolida tendência de expansão

Segundo a pesquisa exclusiva realizada, a praticidade do cartão de crédito é apontada por 61,9% dos consumidores como a principal razão para a utilização desse meio de pagamento, sendo o quesito Aceitação o de maior importância, indicado por 39,4% das mulheres e 36% dos homens.

Um dado bastante interessante da pesquisa é a análise por faixa etária. Os portadores mais jovens, apesar de possuírem renda menor em relação àqueles com mais de 30 anos, atribuem igual valor aos diferenciais do cartão de crédito. Entre outros atributos do cartão, eles valorizam especialmente a praticidade (63,4%); as vantagens no pagamento/crédito e os benefícios. Entre os benefícios, a pesquisa considerou os serviços agregados ao cartão como SAC, seguros, programa de milhagens e serviços de reserva.

O perfil dos jovens traz informações interessantes também no que se refere ao número de despesas pagas com cartão. Entre 2002 e 2004, a faixa etária de 18 a 29 anos registrou crescimento de 2,9 pontos percentuais na freqüência de uso mensal classificada como “mais que semanal”, ou seja, na freqüência de uso de mais de 4 vezes ou mais ao mês. Em porcentagem, 14,6% dos jovens, ao final de 2004, afirmaram utilizar o cartão para realizar compras mais de quatro vezes por mês.

À medida que essa faixa etária evolui e conquista renda maior, influencia ainda mais duas tendências do mercado:

  • a realização de maior número de transações com cartão
  • a realização de transações com valores mais elevados.

Faixas de renda

Também na comparação dos anos 2002 e 2004, a pesquisa demonstrou que os portadores, em todas as faixas de renda, passaram a concentrar mais os seus pagamentos no meio cartão de crédito. Aqueles com renda entre R$ 300,00 e R$ 900,00, por exemplo, concentravam 31,3% de seus pagamentos no cartão em 2002; em 2004, esse percentual passou para 34,7%. Para aqueles com renda acima de R$ 2.500,00, os percentuais passaram de 32,5% em 2002 para 34,5%.

No que se a valores, é na faixa acima de 50 anos que se deu o maior crescimento, em pontos percentuais, da concentração de compras em cartão, o que se explica em função da renda maior. Como os mais jovens consolidam no mercado o hábito de utilizar mais vezes o cartão, a tendência no futuro (à medida que a renda desse segmento aumenta) é de que a expansão dos gastos em valores fique ainda mais concentrada no cartão de crédito, fortalecendo a expansão desse meio de pagamento.

Ramos de utilização

A pesquisa indica que os portadores utilizam o cartão principalmente para compras nos ramos de Alimentação (24,7%), Vestuário (18,4%) e Moradia (14%). Já os ramos que têm maior potencial de crescimento hoje são Turismo e Entretenimento, Saúde e Educação.

Fonte: Credicard