BNDES é um fator de moderação do crédito no Brasil, e não de expansão, afirmou Luciano Coutinho

18/05/2011

O Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que o órgão é um fator de moderação do crédito no Brasil, e não de expansão, Disse também que é necessário controlar a inflação. Segundo ele não tem lógica a idéia de avaliação dos mercados de que o governo iria descuidar da inflação, problema que reconhecidamente traria danos ao País. A inflação vai convergir para a meta em 2012, não há dúvida, afirmou.

O grau de empréstimos do BNDES tem sido anotado como um dos motivos para o expressivo aumento do crédito no Brasil. Coutinho repulsa a avaliação ao dizer que, se o banco seguisse no mesmo ritmo de expansão verificado anteriormente, os desembolsos neste ano ascenderiam para R$ 175 bilhões.

Mas, em uma estratégia ordenada com o ministério da Fazenda, os empréstimos devem ficar em R$ 145 bilhões, mesmo nível de 2010, excluída a capitalização da Petrobras (no total, o número ficou em R$ 170 bilhões).

No entanto, ele apontou que a projeção de desembolsos em 2011 não é fixa e pode ficar "um pouco acima ou abaixo" disso. Segundo Coutinho, é uma questão de coordenação, não podemos deixar no piloto automático.

A desaceleração já foi vista no primeiro trimestre, quando os desembolsos recuaram 2% em relação ao ano anterior, para R$ 24,9 bilhões. Coutinho também amparou a moderação da inflação e do consumo das famílias no Brasil. Mas, disse que para garantir um aumento econômico sustentável, é preciso aumentar os investimentos.A taxa de investimentos precisa subir de 18,5% para 25% do PIB, disse.

O presidente do BNDES defendeu o atual patamar da taxa TJLP, praticada pelo banco, pois crê que seu aumento comprometeria negativamente as determinações de investimentos de longo prazo.

Ele afirmou que os gastos públicos já desaceleram em termos reais e que o Brasil caminha para registrar um dos menores déficits fiscais nominais do mundo. Em Londres, Luciano Coutinho recebeu na terça-feira, 17, o prêmio Personalidade do Ano da Câmara Brasileira de Comércio no Reino Unido.

Fonte: Agência Estado / Repórter: Daniela Milanese