Novas regras para cartão de crédito não terão efeito na diminuição do superendividamento

02/06/2011

As novas regras para os cartões de crédito que entraram em vigor nessa quarta-feira (1º) não terão efeito na diminuição do endividamento do consumidor, na avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin. Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu a quantidade de tarifas cobradas de 80 para cinco, no caso de cartões novos.

Todavia, na opinião do presidente do Ibedec, a medida não será cabível uma vez que o problema está na cobrança de juros altos. Ele concorda que a redução do número de tarifas será vantajosa uma vez que haverá mais transparência nos contratos, mas que essa medida é pouco eficaz para diminuição do endividamento – que é o objetivo do governo. Outra modificação com as novas regras é o percentual da parcela mínima mensal para pagamento do cartão, que passa a ser 15%. Em 1º de dezembro, a parcela mínima para pagamento passará para 20% do total da fatura.

Tardin aconselha o consumidor a utilizar todas as possibilidades de pagamento que tenham juros mais baixos que os do cartão de crédito, inclusive, o cheque especial.O presidente do Ibedec afirma que o juro do cheque especial pode chegar a 170% ao ano, mas o do cartão pode oscilar entre 200% e 312% ao ano. O presidente do Ibedec defende ainda a implementação, pelo governo, de uma campanha institucional para explicar o consumidor sobre o uso de crédito consciente. Segundo ele, as escolas, também deveriam aceitar a educação financeira como disciplina. De acordo com ele, o Ibedec recebe diariamente queixas e consultas de pessoas que devem muito mais que sua capacidade de pagamento. Há clientes que ganham R$ 6 mil por mês e devem mais de R$ 200 mil, ou seja, quase 50 vezes o que ganham, expõe.

Nas ruas, as novas regras têm dividido opiniões. Para o vigilante Marcelo Queiroz, as medidas irão forçar as pessoas a ter um maior controle dos gastos. "Como eu já venho controlando o uso do cartão de crédito, acaba sendo uma ajuda a mais. Eu sempre evitei pagar o mínimo, prefiro pagar a fatura total”, disse.

A supervisora Sthefany dos Santos, no entanto, não concorda com o acréscimo da porcentagem mínima para pagamento da fatura do cartão de crédito. “Acho injusto, o aumento deveria ser aos poucos. Acho também que deveria ter uma razão maior do que simplesmente querer diminuir o consumo”, assegurou. Em relação à redução do número de tarifas, Sthefany elogia a medida. “Antes a gente pagava taxa que não tinha noção para que serviam. Agora será mais fácil identificar o porquê de cada uma.”

Já a artista plástica Denise Araújo diz que “é preciso incentivar as pessoas a não ficar tão envolvidas com essas oportunidades oferecidas pelos cartões de crédito. Se aumentar a porcentagem do valor mínimo, as pessoas vão usar o cartão com mais critério. Concordo que tem que cortar um pouco desse consumismo porque senão, lá na frente, a pessoa se enrola.”

Fonte: Agência Brasil / Repórter: Lourenço Canuto