Os distribuidores de álcool podem ter que fazer estoque para 01 mês pelo menos

22/06/2011

A formação de estoque regulador de etanol que garanta a oferta do produto durante um mês será financiado pelo governo. A medida foi apresentada na terça-feira à presidente Dilma Rousseff como parte do plano visando evitar que a escassez do combustível eleve a inflação deste ano.

A ideia da equipe de Dilma é fazer com que os distribuidores de etanol formem estoque obrigatoriamente, fornecendo para isso financiamentos a juros mais baixos de bancos públicos federais.

Fisicamente, a estocagem seria feita nas instalações dos produtores de etanol, que têm capacidade de guardar o produto por um prazo de até seis meses. O consumo de mês fica um pouco acima de 02 bilhões de litros de etanol.

Hoje, as distribuidoras do combustível têm capacidade para estocar o produto por apenas cinco dias, o que não garante o abastecimento em períodos de escassez da matéria-prima.

Com essa medida, além desses cinco dias, as distribuidoras comprariam dos produtores etanol para garantir o fornecimento no país durante até um mês. Além da compra da produção, as empresas pagariam ainda um valor pela estocagem aos produtores.

Além do estoque, o governo vai passar a financiar a renovação de canavial somente dos produtores que se comprometam a usar recursos apenas para produção de etanol. Quem produzir açúcar não teria acesso ao dinheiro fornecido pelos bancos públicos federais.

O governo decidiu ainda manter a determinação para que a Petrobras eleve sua participação na produção nacional de etanol de 5% para 12% como forma de ajudar a regular o mercado. A estatal vai informar o governo em quanto tempo é possível ampliar sua produção.

Na reunião com a presidente, da qual participaram os ministérios da Fazenda, Minas e Energia, Agricultura e Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a avaliação é que, se o governo não adotar medidas, o cenário de escassez verificado neste ano se repetirá no próximo. Boa parte da alta da inflação neste início de ano foi causada pela falta do produto no mercado.

Fonte: Folha.com / Repórter: Valdo Cruz