Mercado brasileiro de cartões de crédito deverá ter o melhor Natal desta década

20/12/2005

O desempenho do mercado brasileiro de cartões de crédito em dezembro deverá ser o melhor dos últimos seis anos. Impulsionado pelas compras de Natal, o faturamento do setor, representado pelo volume de transações, será de R$ 14,5 bilhões no mês, com crescimento de 26,7% em relação a dezembro de 2004. Essa é a maior taxa de expansão verificada no mês de dezembro desde o ano 2000.

Os dados são do estudo feito pelo setor de Indicadores do Mercado de Meios Eletrônicos de Pagamento, realizado pela Credicard. O número de transações realizadas pelos portadores previsto para o mês do Natal revela a força e a disseminação do uso do meio de pagamento cartão em todas as regiões do país: os estabelecimentos comerciais deverão registrar 157,3 milhões de transações em dezembro, total que representa em média 3.500 transações por minuto.

A pesquisa analisou o histórico do Natal entre 2000 e 2005. Em dezembro de 2000, início do levantamento, o faturamento cresceu 18,6%, chegando a R$ 5,29 bilhões, com um total de 72,5 milhões de transações e a média de 1.600 transações por minuto, ou seja, menos da metade da média prevista para 2005.

Forte expansão em 2005

Os bons resultados de dezembro deverão impulsionar ainda mais o faturamento do mercado de cartões de crédito no ano, que deverá atingir R$ 127,6 bilhões, com crescimento de 27,1% sobre 2004 – expansão que também é a maior dos últimos seis anos. O número de transações previsto para o ano é de 1,45 bilhão, com uma compra média de R$ 88. O total de cartões de crédito em circulação no país somará 66 milhões até o final de 2005.

Tomando-se como base o índice de crescimento real (descontada a inflação pelo IPCA) o setor deverá crescer 20,4% em 2005, bem acima dos percentuais registrados nos últimos anos – 5,1% em 2002; 9,2% em 2003 e 12,8% em 2004.

A participação do volume de transações com cartão de crédito no consumo privado nacional deverá chegar a 11,7% no final de 2005, o maior crescimento absoluto (em pontos percentuais, pp) dos últimos 10 anos analisados pela pesquisa. Esse dado revela o impacto cada vez maior do meio de pagamento cartão sobre a economia do país. Prático e eficaz, o cartão tem efeito multiplicador sobre a economia.

Crédito simplificado no bolso

A expansão do mercado de cartões significa, para os consumidores, o acesso a crédito cada vez mais simplificado no bolso: mais de 80% dos portadores de cartões utilizaram a modalidade de pagamento baseada no parcelamento sem juros em 2005. No acumulado de janeiro a novembro de 2005, por exemplo, o parcelamento sem juros representou 45,3% do volume total de transações.

O alto índice de utilização do pagamento parcelado sem juros comprova a vocação do cartão de crédito de instrumento de crédito de fácil acesso a bens e serviços, especialmente para as camadas de baixa renda.

Consumidor troca cheque pelo cartão de crédito

Entre 2000 e 2005, o número de cheques compensados no país caiu 25,4%, enquanto o número de transações com cartão de crédito praticamente dobrou, passando de 731 milhões para 1,45 bilhão (crescimento de 98,9%).

Além dessa tendência de substituição, que deverá se manter em 2006, o ingresso de novos portadores no mercado – e o conseqüente aumento do número de cartões em circulação – é outro fator que motiva o forte crescimento da indústria de cartões. Apenas nos dois últimos anos, 22 milhões de novos plásticos entraram em circulação no Brasil.

Na comparação com outros meios de pagamento como cheque, dinheiro, cartão de débito e débito automático no banco, a pesquisa revela que há muito espaço para a substituição pelo cartão. Os portadores da região Norte/Nordeste são os que mais utilizam o cartão em relação a outros meios de pagamento analisados, o que decorre da cultura mais desenvolvida de uso desse meio de pagamento e do menor índice de bancarização que caracteriza a região. A região Sul é a de maior utilização do dinheiro como meio de pagamento, reflexo do menor hábito de uso do cartão.

Volume de transações por ramo em 2005

Alimentação e Vestuário são os ramos preferidos pelos portadores para compras com cartões de crédito. Há, porém, forte potencial de crescimento em todos os ramos, inclusive naqueles que movimentam valores mais altos, como Moradia, Turismo e Entretenimento e Veículos.

Como o consumidor financia as despesas

A importância do cartão como instrumento de crédito ao consumidor cresceu entre 2000 e 2005, mesmo com a expansão do crédito pessoal (influenciado pelos empréstimos consignados). O crescimento do crédito pessoal tirou espaço de mercado, proporcionalmente, dos demais meios de financiamento disponíveis como cheque especial, financiamento imobiliário e outros. A exceção ficou por conta do cartão de crédito que também avançou na preferência dos consumidores e ampliou a sua participação em relação a outros meios. O cartão de crédito deverá responder por 12,8% do financiamento disponível ao consumidor em 2005.

Previsões para 2006

Segundo estimativas da Credicard, o mercado brasileiro de cartões de crédito deverá registrar forte crescimento em 2006: o volume de transações chegará a R$ 155,6 bilhões, com crescimento de 22% sobre 2005. O crescimento real previsto (descontada a inflação) deverá ser de 16,6%.

ntre os principais fatores para essa expansão estão a ativação dos novos cartões emitidos em 2005; o aumento no número de estabelecimentos credenciados fora dos grandes centros urbanos que aceitam cartão; e o aumento do hábito de uso dos portadores mais antigos. Com a expansão prevista, a participação dos cartões no consumo privado nacional chegará a 13,2%.

Fonte: Credicard