Secretário descarta possibilidade de aumento da inadimplência com a redução de juros.

10/05/2012

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse nesta semana que a diminuição dos juros das linhas de crédito pelos bancos públicos e privados não deve provocar aumento da inadimplência. O crescimento da economia e a alta da renda da população, aliados a taxas menores, permitirão que o crédito volte a acelerar nos próximos meses sem provocar disparada no calote, diz ele.

 O spread é a diferença entre o custo dos bancos em captar recursos e emprestar aos clientes. Barbosa declarou: “A inadimplência não é apenas causa do spread bancário, mas também consequência dele”.
Os juros mais altos dificultam a quitação de empréstimos, segundo ele. O secretário acrescentou ainda que os bancos privados continuarão a acompanhar a redução do spread iniciada pelos bancos públicos. “Os bancos públicos fizeram um movimento sustentado [de redução de juros] que está fazendo os demais bancos acompanhar esse processo. Por causa da própria concorrência, todas as instituições estão diminuindo as taxas, em diferentes graus”, declarou Secretário executivo.
Barbosa comentou ainda que espera que as medidas de redução dos juros voltem a acelerar o crédito nos próximos meses. De acordo com ele, essa medida ajudará a economia a expandir o ritmo de crescimento, fazendo o Produto Interno Bruto (PIB) crescer de 5% a 6% a partir do segundo semestre. “A concessão de crédito deu uma desacelerada por causa do desempenho da economia, mas, com essas medidas de taxas de mercado, verificamos que o crédito está sendo retomado gradualmente”, avaliou.
Em relação à portabilidade das operações de crédito, o secretário reconheceu que existem problemas em algumas modalidades para que o cliente migre para linhas de crédito com juros menores. Em financiamento de veículos e de imóveis, os bancos criam dificuldades por causa dos custos para transferir de uma instituição financeira para outra o bem alienado, o que atrasa o processo.
Ainda não há nenhuma medida definida, mas Barbosa disse que o governo está atento a questão. “Já há a regra de portabilidade, mas por vários motivos, operacionais e burocráticos, há reclamações sobre a velocidade desse processo. Este é o nosso próximo passo. Abrimos discussão com o sistema financeiro e estamos vendo o que pode ser feito, mas ainda não temos nada definido”, disse.
O secretário deu as declarações ao sair de audiência pública no Senado que discutiu as medidas provisórias da segunda fase do Plano Brasil Maior, programa de estímulo à indústria nacional.
 

Fonte: Agência Brasil