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Open banking: o que é e como ele mudará sua relação com os bancos

Por Camila SilveiraPublicado em

O Banco Central está com mais uma novidade para o ano de 2021: o chamado open banking. Traduzido pela autoridade monetária como Sistema Financeiro Aberto, ele permitirá que os dados do cliente sejam compartilhados com outras instituições financeiras, além daquelas com as quais ele já possui conta.

Sabendo que o momento agora é de preocupação com as informações sensíveis, devido à nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o open banking ainda está passando por elaboração de regramento e segurança para que o seu funcionamento seja regulado no país.

O processo, com quatro fases, que seria iniciado no dia 30 de novembro deste ano, foi adiado pelo Banco Central a pedido das instituições bancárias e fintechs. Isso porque agora, essas empresas precisam se dedicar ao novo sistema de pagamentos do Banco Central, Pix, e às demandas surgidas na pandemia.

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O novo cronograma determina que a primeira etapa começará em fevereiro e a previsão é de que toda a regulamentação se estenda até dezembro de 2021.

Mas afinal, o que é open banking?

De forma resumida, podemos afirmar que o no conceito de open banking as informações do consumidor deixam de ser acessíveis apenas através do banco e voltam para o controle do próprio correntista.

Sendo assim, ele terá liberdade para deixar outras instituições terem acesso a seus dados bancários. Isso poderá ser bastante vantajoso para o cliente, pois aparecerão chances de destravar novas oportunidades, principalmente no mercado de crédito.

Modo de usar o open banking

De acordo com o presidente executivo da plataforma Quanto, Ricardo Taveira, o acesso do open banking é parecida com a funcionalidade habitual da internet: o uso de login das redes sociais para a entrada em outros sites.

A diferença é que no ambiente regulado, o que se prevê é que, ao usar a aplicação que receberá a autorização de acesso, o usuário deverá confirmar esse aval. "Você vai ser redirecionado de dentro da interface do banco recebedor para a interface do [banco] doador dos dados", detalha Taveira. Ele ainda acrescenta que tudo dependerá do consentimento expresso do usuário.

Essa facilidade pode ser o ponto de virada para simplificar a jornada do usuário de serviços bancários e para diversificar a sua experiência de consumo. De acordo com Taveira, o sistema aberto diminui a maratona em busca de opções mais vantajosas e melhora as ofertas.

"Podemos pensar em jornadas, atividades que fazemos na vida financeira. Se eu quero financiar a compra de um carro, hoje eu nem sempre tenho escolha; fico restrito ao banco onde tenho conta corrente. Se eu quiser pegar uma cotação de empréstimo em outro banco, vou ter que passar pela odisseia de abertura de conta para, então, ter a chance de ser aprovado ou negado. É muito esforço para comparar propostas", afirma Taveira.

Desafios para o open banking brasileiro

Embora o Sistema Financeiro Aberto esteja um pouco distante, as estimativa são boas, porém não excluem os desafios no cenário brasileiro. Segundo o economista-chefe da Stone e integrante do Conselho Deliberativo do Open Banking, Vinicius Carrasco, a implantação será o grande a grande dificuldade.

"Você tem um grande plano de coordenação aqui. Esses entes todos têm que se comunicar e simultaneamente criar essas estruturas padronizadas. Isso não é trivial. Acho que parte do trabalho dessa autorregulação é estimular esse processo de maneira adequada", afirmou Carrasco em evento online realizado pelo Guiabolso.

Para Ricardo Taveira, outro fator a ser considerado é a confiança e engajamento dos clientes. De acordo com ele, "o desafio é que no longo prazo a gente precisa confiar no ecossistema e não na marca [do banco], você precisa confiar no open banking".

Como uma comparação, Taveira traça um paralelo com o trabalho realizado após o lançamento do novo sistemas de pagamentos do BC, com campanhas de comunicação para conquistar a confiança dos usuários. Em seguida, a atenção deverá ser voltada ao desenvolvimento dessa mesma relação no ambiente do open banking.

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Camila Silveira

Redatora e Especialista em Produtos e Serviços Financeiros na Foregon, adora descomplicar os cartões de crédito, empréstimos, financiamentos, seguros, contas digitais, entre outros. Boa parte do seu trabalho é acompanhar a movimentação dos bancos e instituições financeiras para trazer as principais notícias do mercado.

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