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Por que a vacina chinesa Coronavac está sendo rejeitada? Entenda

Por Camila SilveiraPublicado em

A vacina chinesa, também conhecida como CoronaVac, foi produzida pela empresa Sinovac Biotech em parceira com o Instituto Butantan. Embora esteja sendo rejeitada pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, cabe ressaltar que todas as vacinas licenciadas para uso humano passam por análises científicas que as tornam extremamente seguras.

Por que a vacina chinesa está sendo rejeitada pelo governo?

Tem quem acredite que a Covid-19 foi uma criação dos cientistas da China, que tiveram como propósito propagar a doença pelo mundo, e há quem diz que os chineses não produzem dados confiáveis e, até mesmo, "usam fetos abortados" para produzir vacinas. Em ambos os casos, são informações sem embasamento teórico.

Apesar das especulações científicas, existe outra teoria que diz que a CoronaVac está sendo rejeitada pelo governo do Brasil devido a uma briga política em que os apoiadores de Jair Bolsonaro não tomam vacinas chinesas porque o governador de São Paulo, João Dória, traiu o presidente da República. Explicação que também não tem sentido.

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Afinal, como saber se a vacina chinesa é confiável?

Para analisar os dados de forma correta, é necessário, primeiramente, entender a estratégia que a empresa Sinovac e o Instituto Butantan desenvolveram para criar a vacina chinesa, que está prestes a ter suas primeiras doses distribuídas. 

Resumidamente, a empresa utilizou uma técnica antiga (vírus inativado) para criar a CoronaVac. Com esse método, torna-se mais fácil prever os efeitos colaterais em longo prazo, pois já existem outras vacinas que utilizam vírus inativados e são licenciadas para uso humano há décadas, como a da gripe.

Essa técnica antiga também traz outra vantagem que é a praticidade de obter essas vacinas, pois basta isolar, cultivar o vírus e, em seguida, inativá-lo usando algum produto químico ou o calor. Outro fator interessante nesse método é que ele é geralmente seguro em curto, médio e longo prazo, e os efeitos colaterais na maioria das vezes não são graves.

Apesar disso, cabe ressaltar que essa tecnologia também oferece algumas desvantagens, pois ao trabalhar com o vírus inteiro, há a necessidade de usar laboratórios de segurança máxima, que consequentemente, exige um investimento muito alto.

Tais vacinas também não oferecem alta proteção, sendo necessário usar outros componentes na formulação, conhecidos como adjuvantes.

Sendo assim, o vírus inativado é bom apenas para produzir anticorpos, e não para ativar outros componentes do sistema imune, o que pode ser um ponto negativo já que para gerar alta proteção contra a Covid-19 é necessária a ativação das chamadas células T.

Outro fator negativo é que a tecnologia do vírus inativado requer a aplicação de mais de uma dose, o que pode ser crucial em uma pandemia. Afinal, quanto menor o número de doses necessárias, maior a chance de vacinar toda uma população.

Todas essas explicações servem para que você entenda melhor o que essa vacina pode oferecer. Afinal, quem vai decidir se devemos receber a imunização da China, ou de qualquer outro país, será um corpo técnico, após obter dados dos testes clínicos.

Ao ser licenciada para o uso humano, serão realizados testes e acompanhamentos das pessoas vacinadas para avaliar qualquer efeito colateral em curto, médio e longo prazo.

Vale lembrar, também, que quem deve ser responsável pela liberação para a vacinação em larga escala são os pesquisadores e institutos responsáveis como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Por último, é importante entender que se a vacina chinesa for liberada para uso humano também haverá uma nota explicando em quais grupos de pessoas ela produzirá os melhores efeitos. Sendo assim, não vamos deixar que as especulações e brigas políticas nos impeçam de acabar com essa pandemia.

Descomplicamos?

O nosso texto foi inspirado no artigo publicado na UOL do Gustavo Cabral, imunologista PhD pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutorado pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e pela Universidade de Berna (Suíça), e pesquisador da USP/FAPESP.

Até a próxima!

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Camila Silveira

Redatora e Especialista em Produtos e Serviços Financeiros na Foregon, adora descomplicar os cartões de crédito, empréstimos, financiamentos, seguros, contas digitais, entre outros. Boa parte do seu trabalho é acompanhar a movimentação dos bancos e instituições financeiras para trazer as principais notícias do mercado.

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