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Veja simulações e confira os riscos de pausar ou reduzir as prestações da casa própria

Por Nara LimaPublicado em

A Caixa Econômica Federal está com condições especiais para auxiliar seus clientes que possuem financiamento habitacional a manter as contas em dia durante a crise provocada pela pandemia do coronavírus.

A proposta da instituição é reduzir o valor mensal de pagamento e, em alguns casos, suspender o valor das prestações temporariamente. Essa redução pode chegar a 75%, enquanto a pausa nas cobranças pode ser obtida por até seis meses.

Alerta de riscos

Apesar do auxílio oferecido pela instituição, Marcelo Tapai, advogado especialista em direito imobiliário e diretor do Instituto Brasileiro de Direito do Consumidor (Brasilcon), alerta que essa ação pode ser um risco para quem tem financiamento imobiliário pelo banco.

Isso porque os valores que forem "congelados" serão incorporados ao saldo devedor, com juros. Ou seja, a pausa ou redução pode afetar negativamente a situação financeira daqueles que não realizam um planejamento adequado.

"O prazo do financiamento não será alterado, então, dependendo do valor que foi financiado, quando as prestações voltarem a ser cobradas, a prestação poderá ser bem maior do que a pessoa tinha condições de arcar", complementa o especialista.

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No entanto, a Caixa afirma que as condições contratuais não sofrerão alterações. Logo, o prazo do financiamento e a taxa de juros estabelecida no contrato serão mantidas, sem contar com mudanças repentinas.

Tapai alerta que em 2020, a suspensão temporária no pagamento já havia sido anunciada e, no retorno da pausa, muitos clientes se surpreenderam com os novos valores das prestações que, para algumas pessoas, chegou a dobrar.

Outro ponto levantado pelo especialista é que o prazo de três a seis meses de pausa que a Caixa propôs não é suficiente para que aqueles que foram afetados pela pandemia consigam se restabelecer financeiramente.

"Quem foi pego em cheio pela crise certamente precisará de mais do que seis meses para conseguir colocar as contas em ordem. Por isso, só deve se beneficiar quem realmente não tem outra alternativa, como usar o FGTS para quitar parte do saldo ou das parcelas", finaliza Tapai.

Confira algumas simulações

O economista Matheus Eid, da Vallus Capital, fez algumas simulações para a seguinte situação: imóvel com financiamento de R$ 500 mil, que deverá ser quitado em um período de 15 anos, com custo efetivo total de 9,71% anual e 0,775% mensal. 

Nesse caso, as 180 prestações (15 anos) teriam valor de R$ 5.160,49 (financiamento integral e sem entrada), e o imóvel chegaria ao valor total inicialmente de R$ 928.887,91.

Desconto de 25% na parcela de R$ 5.160,49 por três meses

  • As parcelas seriam de R$ 3.870,36 no período;
  • As 177 parcelas restantes passariam a ter o valor de R$ 5.241,19;
  • O novo valor total seria de R$ 943.413,95 _ aumento de 1,53%, ou R$ 14.526,04 _.

Desconto de 50% na parcela de R$ 5.160,49 por três meses

  • As parcelas seriam de R$ 2.580,24 no período;
  • As 177 parcelas restantes passariam a ter o valor de R$ 5.281,44;
  • O novo valor total seria de R$ 950.659,80 aumento de 2,29%, ou R$ 21.771,89 _.

Desconto de 75% da parcela de R$ 5.160,49 por três meses

  • As parcelas seriam de R$ 1.290,12 no período;
  • As 177 parcelas restantes passariam a ter o valor de R$ 5.321,71;
  • O novo valor total seria de R$ 957.907,07 aumento de 3,02%, ou R$ 29.019,16 _.

Pausa por seis meses

  • Número de parcelas restantes seriam 174;
  • Novo valor das parcelas passariam a ser R$ 5.567,66;
  • Novo valor total seria de R$ 1.002.179,12 aumento de 7,31% ou R$ 73.291,21 _.

Resumidamente, podemos observar que essa opção só deve ser usada como última alternativa, por aqueles que realmente estiverem sem renda e apenas por um curto período de tempo. 

Você também pode conferir:

Perda do imóvel

É importante frisar que o contrato de financiamento imobiliário tem como garantia o próprio imóvel, ou seja, se o pagamento das prestações atrasarem, o cliente poderá perder o bem, que será leiloado para quitar a dívida.

A partir de um mês de inadimplência, a instituição já tem o direito de pegar o imóvel de volta, no entanto, os bancos costumam tomar essa ação após três prestações atrasadas. Infelizmente, esse processo ocorre de forma muita rápida e pega o mutuário de surpresa. Por isso, é realmente necessário contar com planejamento financeiro para que o financiamento do imóvel esteja em dia.

Descomplicamos?

Esperamos que esse conteúdo seja útil para sua vida financeira, afinal, o nosso objetivo é descomplicar o complicado!

Até a próxima!

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Nara Lima

Redatora e Especialista em Produtos e Serviços Financeiros na Foregon, gosta de escrever sobre educação financeira. Preza pela facilidade da leitura e pela checagem das informações, buscando produzir um conteúdo de leitura simplificada e que sane as dúvidas do leitor.

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