Caixa e Banco do Brasil entram em greve a partir desta quinta-feira
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoBancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil entraram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira, 10 de setembro de 2026. Na Caixa, a greve é nacional. No Banco do Brasil, apenas parte dos trabalhadores aderiu à paralisação, enquanto os demais aceitaram o acordo da categoria.
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O que motivou a greve?
O impasse entre os trabalhadores e os dois bancos públicos está ligado ao custeio do plano de saúde. Hoje, os bancários da Caixa pagam 3,5% do salário-base de convênio, mais R$ 480 por mês por dependente, valor que sobe para R$ 800 quando o dependente tem entre 24 e 27 anos. A proposta do banco elevava o percentual para 5,5%, o valor por dependente para R$ 870, e para os maiores de 27 anos, o valor mensal iria a R$ 1.050.
Os trabalhadores rejeitaram a proposta e decidiram entrar em greve, mas aceitaram voltar a negociar a partir da noite de quarta-feira, 9 de setembro. Na assembleia, 93 bases sindicais decidiram pela paralisação, 35 rejeitaram a proposta mas optaram por negociar, e nas demais bases a proposta foi aprovada.
"A expressiva rejeição da proposta nas assembleias realizadas em todo o país demonstra que ela está muito distante das necessidades e das expectativas dos trabalhadores da Caixa. A principal preocupação é com o Saúde Caixa, uma questão que precisa ser tratada com a complexidade e o cuidado que necessita", afirma Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Em nota, a Caixa informou que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e segue comprometida com a renovação do acordo coletivo de trabalho, com renegociações reabertas na quarta-feira.
Como fica o Banco do Brasil?
No Banco do Brasil, também há impasse quanto ao custeio do plano de saúde. Nas assembleias, 39 sindicatos aprovaram a proposta de aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro deste ano, entre eles São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Niterói e Jundiaí. A maioria, formada por 60 sindicatos, rejeitou a proposta e decidiu pela retomada das negociações, entre eles Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis. Já 27 sindicatos optaram pela greve a partir desta quinta-feira, incluindo Belo Horizonte, Bahia, Ceará e Piauí.
O banco orienta os clientes a realizar atendimento por aplicativo, internet banking, correspondentes bancários e telefone, pelos números 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-729-0001, para as demais localidades, além do WhatsApp (61) 4004-0001.
Mesmo com as greves pontuais, o Sindicato dos Bancários assinou convenção coletiva de trabalho na quarta-feira, garantindo reajuste salarial acima da inflação para cerca de 500 mil bancários, com o mesmo percentual aplicado aos benefícios de vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche, além da Participação nos Lucros e Resultados.
O índice de correção dos salários será conhecido nesta sexta-feira, 11 de setembro, e corresponde à inflação medida pelo INPC de setembro de 2025 a agosto de 2026, mais 0,6% de aumento real. A PLR referente a 2026 será paga até o final de março de 2027, mas haverá uma antecipação ainda este mês, com uma parte calculada sobre o salário e outra vinculada ao lucro do banco no primeiro semestre.
"Foram 13 rodadas de negociação e mais de dois meses de mobilização e diálogo com o setor mais lucrativo do país. A assinatura da convenção coletiva de trabalho representa uma importante conquista da categoria bancária", diz Neiva Ribeiro, que agora quer discutir questões relacionadas à saúde mental conforme as regras da NR-1.



