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Financiamento de carro para motorista de app: como o novo teto de R$ 200 mil afeta seu crédito

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Se você dirige ou pensa em dirigir por aplicativos como Uber, 99 ou InDrive, uma mudança recente pode abrir uma porta que antes estava fechada: o governo federal elevou o teto de financiamento do programa Move Brasil para até R$ 200 mil, valor que agora vale também para motoristas de táxi e de aplicativo. Se você está pensando em comprar um carro para trabalhar, isso muda a conta, e vale entender antes de sair atrás de crédito.

O que mudou no financiamento para motoristas de app?

O Move Brasil é o programa federal que oferece condições de financiamento facilitadas para compra de veículos, com foco em categorias específicas de trabalhadores, entre elas taxistas e motoristas de aplicativo. Até então, o teto de financiamento para essas categorias era mais baixo. Com a mudança anunciada, o limite passa a ser de R$ 200 mil, o que amplia o leque de modelos de carro que podem ser financiados dentro do programa.

Na prática, isso significa:

  • Mais opções de carro dentro do financiamento facilitado, incluindo modelos um pouco mais completos, com ar-condicionado, direção elétrica e itens que os apps de corrida costumam exigir ou valorizar
  • Possibilidade de financiar veículos híbridos ou mais novos, que tendem a ter valor de revenda melhor
  • Um valor de entrada e parcelas que precisam ser recalculados. Teto mais alto não significa parcela mais barata, significa apenas que o valor total financiável aumentou.

A Fazenda também sinalizou que está estudando outras mudanças nas regras de crédito para motoristas de aplicativo, então é provável que esse não seja o único ajuste do ano.

Por que isso importa mesmo se você não é motorista de app?

Esse tipo de notícia costuma parecer restrita a quem já trabalha com corridas, mas ela serve como um termômetro de algo maior: o governo está usando financiamento de veículo como ferramenta de política de crédito para trabalhadores por conta própria. Se você trabalha por aplicativo em qualquer área, como entrega, transporte ou serviços, vale acompanhar esse tipo de programa, porque normalmente vêm em sequência: hoje é o carro, depois pode ser moto, equipamento de trabalho, ou linhas de crédito específicas para autônomos.

Vale a pena financiar um carro para rodar por aplicativo?

Antes de aproveitar o teto mais alto, faça a conta com calma. Financiar um carro para trabalhar é uma decisão de negócio, não só de consumo. Pergunte-se:

  1. Quanto você ganha rodando hoje, com o carro que tem? 

Se você já sabe sua média mensal de faturamento com apps, dá para simular se a parcela do financiamento cabe sem sufocar o orçamento. 

  1. O carro escolhido compensa o gasto extra?

Um carro mais completo pode gerar mais corridas ou corridas mais bem pagas em categorias premium, mas também custa mais para manter: seguro, revisão, combustível.  

  1. Você tem outras dívidas em aberto? 

Se seu nome está negativado ou você já compromete boa parte da renda com outras parcelas, adicionar um financiamento de carro pode ser o gatilho para um aperto financeiro maior. 

  1. Qual é a taxa de juros real do contrato? 

Programas com condição facilitada nem sempre têm a taxa mais baixa do mercado. Compare sempre com outras opções antes de assinar.

Cuidados antes de assinar o contrato

Financiamento de veículo é um dos contratos mais longos que uma pessoa assume, geralmente entre 48 e 60 meses. Alguns cuidados evitam dor de cabeça:

Antes de contratar o financiamento, leia o CET (Custo Efetivo Total), e não apenas a taxa de juros anunciada. O indicador reúne taxas, seguros e outros custos embutidos e mostra quanto você realmente vai pagar. 

Também vale simular o valor da parcela em pelo menos duas instituições, já que bancos e financeiras podem oferecer condições diferentes para o mesmo perfil de cliente. Verifique ainda se o programa exige comprovação de renda como motorista de aplicativo, pois algumas instituições podem exigir tempo mínimo de atividade na plataforma ou comprovante de faturamento. 

Outro ponto importante é avaliar o valor da entrada: quanto maior o valor pago inicialmente, menor será o financiamento e, consequentemente, os juros ao longo do contrato. Por fim, não financie o valor máximo apenas porque o teto aumentou. O limite é uma possibilidade, não uma meta. Financiar o menor valor possível ajuda a reduzir o risco de inadimplência caso o faturamento com as corridas diminua.

Como isso se conecta com o seu histórico de crédito?

Um financiamento de veículo é uma dívida que entra no seu Cadastro Positivo e influencia diretamente seu score de crédito, para o bem e para o mal. Pagar as parcelas em dia melhora seu histórico e facilita conseguir outros créditos no futuro, como um cartão com limite maior ou um empréstimo pessoal com juros menores. Já um atraso recorrente faz o efeito contrário: pesa negativamente e pode dificultar crédito por anos.

Por isso, antes de assumir esse compromisso, é importante colocar na ponta do lápis não só se você consegue pagar a parcela em um mês bom de corridas, mas também em um mês fraco.

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Escrito por:

Mariana Silva
Especialista em produtos e serviços financeiros na Foregon

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