Governo reajusta Bolsa Família em 15% a menos de 20 dias das eleições
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoO presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto para reajustar em 15% os benefícios do Bolsa Família a partir de outubro. Com a mudança, o piso do programa sobe de R$600 para R$691 por família. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e não depende de aprovação do Congresso Nacional.
Quanto vai custar o reajuste?
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que o custo da medida será de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027. Segundo ele, boa parte do impacto será absorvida dentro do espaço já existente no orçamento, sem alterar as regras fiscais vigentes.
Com o novo piso de R$691, o valor médio pago às famílias atendidas pelo programa passa a R$777, de acordo com Moretti. O ministro afirmou que o aumento repõe a inflação acumulada sobre o benefício, que não havia sido reajustado desde a recriação do Bolsa Família em 2023.
Por que o momento do anúncio chama atenção?
O reajuste foi anunciado a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, quando Lula concorre à reeleição. Os primeiros pagamentos com o novo valor começam em 19 de outubro, antes do eventual segundo turno.
A última elevação do benefício havia ocorrido em 2022, também em ano eleitoral, quando o então presidente Jair Bolsonaro reajustou o programa, na época chamado Auxílio Brasil, de R$400 para R$600. Em março de 2023, já sob a gestão de Lula, o programa voltou a se chamar Bolsa Família, mantendo o valor em R$600 até agora.
Uma pesquisa Quaest divulgada na mesma semana do anúncio mostrou Lula com 45% das intenções de voto no primeiro turno entre entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, ante 49% em levantamentos anteriores do mesmo mês. O senador Flávio Bolsonaro, principal adversário do petista, aparecia com 22% nessa faixa de renda, ante 18% e 16% nas pesquisas anteriores.
Como o governo diz que vai bancar o aumento?
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a trajetória de metas fiscais já assumida pelo governo não será alterada pelo custo adicional do programa. Moretti explicou que parte da despesa extra em 2026 será acomodada com uma redução de gastos previdenciários, o que abre espaço para remanejar recursos. Para 2027, ele disse que o mesmo tipo de remanejamento deve cobrir boa parte do valor adicional, por meio de ajustes no projeto de lei orçamentária.
O reajuste chega em um momento de disputa eleitoral acirrada e levanta debate sobre o espaço fiscal do governo para sustentar o programa nos próximos anos, ao mesmo tempo em que testa até que ponto o aumento do benefício influencia o comportamento do eleitorado nas urnas em outubro.



