Bancos começam a devolver R$ 1,3 bilhão a apostadores de bets
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoOs bancos e as instituições financeiras começaram a devolver, em 9 de outubro, cerca de R$ 1,325 bilhão que ficou nas contas de apostadores após o encerramento das plataformas de apostas on-line abrangidas pela Medida Provisória (MP) 1.394/2026. A restituição deve beneficiar aproximadamente 26,5 milhões de pessoas e vai até 14 de outubro, quarta-feira.
O prazo para retirar o dinheiro de forma voluntária nas plataformas terminou às 23h59 de 5 de outubro. No dia seguinte, os sites e aplicativos afetados pela medida começaram a sair do ar. As empresas de apostas tiveram até 8 de outubro para enviar às instituições financeiras os dados dos saldos vinculados aos CPFs e às contas bancárias usadas nos depósitos.
Como receber o dinheiro das bets?
A devolução é feita pelas instituições financeiras, de acordo com o cronograma definido pelo governo. Quem apostou deve acompanhar as movimentações da conta bancária usada para depositar dinheiro nas plataformas.
Confira as principais datas do processo:
- 5 de outubro: encerramento do prazo para o saque voluntário nas plataformas.
- 6 de outubro: início da retirada do ar dos sites e aplicativos afetados.
- 7 e 8 de outubro: envio dos dados sobre os saldos aos bancos.
- De 9 a 14 de outubro: período previsto para a devolução dos valores pelas instituições financeiras.
- A partir de 14 de outubro: a Caixa Econômica Federal assume os casos em que houver impedimentos operacionais.
E se o banco não conseguir devolver?
Se a devolução não for concluída por dificuldades operacionais, os valores restantes serão encaminhados à Caixa Econômica Federal a partir de 14 de outubro. O banco público ficará responsável por intermediar os pagamentos pendentes.
Segundo o Ministério da Fazenda, as orientações para essa etapa serão divulgadas pelos canais oficiais. Por isso, vale acompanhar os comunicados do governo e do seu banco.
Parte dos recursos está distribuída em contas com valores muito baixos. Segundo o governo, 86,2 milhões de contas tinham saldos entre R$ 0,01 e R$ 0,99, que somavam R$ 15,5 milhões. O número de contas é maior que o de apostadores porque uma mesma pessoa pode ter cadastro em várias plataformas.
O que o governo investiga?
O governo também acompanha os saldos elevados que ficaram nas plataformas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que cerca de 40 CPFs estão sob análise por causa dos valores mantidos nas contas, para apurar possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro.
A MP que determinou o encerramento das operações foi publicada em 25 de setembro e ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional dentro do prazo legal para continuar em vigor.
Como evitar golpes na devolução das apostas?
Golpistas costumam aproveitar momentos como esse para pedir dinheiro ou dados. Para se proteger:
- Consulte os canais oficiais do governo e dos bancos
- Desconfie de mensagens que cobram taxa para liberar o dinheiro
- Não passe senhas ou códigos bancários a ninguém
- Confirme direto com a instituição financeira qualquer informação sobre o pagamento
- Não é preciso pagar nenhum valor antecipado para receber o saldo
Por que as bets foram proibidas?
A medida faz parte de um pacote econômico do governo voltado à redução do endividamento das famílias brasileiras e dos problemas financeiros associados ao uso compulsivo de apostas on-line. A preocupação é que a facilidade de apostar pelo celular e a expectativa de ganhos rápidos levam os usuários a comprometer parte da renda, acumular dívidas e prejudicar o pagamento de despesas essenciais. O governo também busca combater plataformas clandestinas, que operam sem autorização e podem oferecer menos garantias aos consumidores.
Quem tinha saldo nas plataformas afetadas deve acompanhar o extrato bancário. Se o dinheiro não aparecer até 14 de outubro, a orientação é procurar o banco pelos canais oficiais e seguir as instruções da Caixa Econômica Federal para os casos com impedimentos operacionais.



