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Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$827 milhões em dívidas

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A rede de lojas de brinquedos Ri Happy entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$827,4 milhões em dívidas. O processo foi protocolado no domingo, 18 de outubro, e confirmado pela empresa na segunda-feira, 19. A medida também envolve outras empresas do grupo, incluindo a PBKids.

A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com seus credores um plano para reorganizar as dívidas e ajustar os prazos de pagamento. Diferentemente da recuperação judicial, o processo começa com negociações entre a companhia e os credores, embora possa ser submetido à homologação da Justiça. A medida não significa falência nem fechamento imediato das operações.

Credores já aceitaram negociar parte das dívidas

Segundo as informações divulgadas sobre o processo, credores que representam R$308,8 milhões em dívidas já concordaram em participar das negociações. O valor corresponde a 42,38% do total incluído no plano de recuperação extrajudicial.

A iniciativa ocorre menos de dois meses após uma mudança no controle da companhia. Em 31 de agosto, a BluSun Capital anunciou a compra de 100% da Ri Happy, que estava havia 14 anos sob o controle dos fundos Carlyle e SPX Capital. Com a mudança, Héctor Nuñez voltou ao cargo de CEO da rede.

Em nota, a empresa afirmou que a renegociação busca organizar os compromissos financeiros e adequar sua estrutura de dívidas às necessidades da operação. Entre os desafios apontados estão os juros elevados, as mudanças nos hábitos de consumo, o aumento da concorrência e os efeitos acumulados da pandemia.

Ri Happy continuará funcionando durante a Black Friday e o Natal?

De acordo com a empresa, as lojas físicas e os canais digitais continuam funcionando normalmente. A rede também informou que mantém o foco nas vendas da Black Friday e do Natal, períodos importantes para o varejo de brinquedos.

Atualmente, a Ri Happy conta com 290 lojas e registra faturamento anual de aproximadamente R$1,2 bilhão. Por isso, a renegociação das dívidas ocorre em um momento estratégico para a companhia, que precisa manter suas operações e atender à demanda dos consumidores durante o fim do ano.

Apesar disso, o pedido de recuperação extrajudicial merece atenção. Para quem pretende comprar na rede, a recomendação é conferir as condições de pagamento, os prazos de entrega e as regras de troca e devolução antes de concluir uma compra, especialmente em pedidos feitos pela internet.

Rede já havia renegociado dívidas em 2023

Esta não é a primeira vez que a Ri Happy busca reorganizar seus compromissos financeiros. Em 2023, a empresa contratou uma consultoria para renegociar R$ 289 milhões em dívidas com nove instituições financeiras. Na ocasião, os vencimentos foram alongados por até cinco anos.

O cenário também reflete as dificuldades enfrentadas por outras empresas do setor. Em maio de 2026, a fabricante de brinquedos Estrela pediu recuperação judicial para lidar com uma dívida de R$109 milhões. É importante destacar que o pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy não significa que a empresa encerrou as atividades ou que todas as dívidas já foram renegociadas. O resultado dependerá das negociações com os credores e do andamento do processo.

Para os consumidores, o principal ponto é que, até o momento, a rede afirma manter suas operações normalmente. Ainda assim, acompanhar os comunicados oficiais da empresa e verificar as condições de cada compra são cuidados importantes durante o período de renegociação.

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Escrito por:

Mariana Silva
Especialista em produtos e serviços financeiros na Foregon

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